
Marina Silva classifica como “deplorável” sessão do STF que analisou Alexandre de Moraes (Foto: Instagram)
A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, descreveu como "deplorável" a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou o caso de Alexandre de Moraes. Durante uma entrevista ao programa Agora Metrópoles, ela destacou que as acusações contra membros do STF são sérias e devem ser investigadas com rigor.
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Marina propôs que Moraes se afastasse para responder às acusações fora de suas funções. Ela também exigiu explicações do ministro André Mendonça sobre o que considera uma divulgação seletiva de informações, retirada de sigilos e decisões judiciais relacionadas ao processo sob sua responsabilidade.
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A ex-ministra elogiou Cármen Lúcia, que pediu desculpas à sociedade durante a sessão. Para Marina, apesar de não ser responsável pelos eventos que afetam o STF, a ministra agiu em defesa da instituição. "A mácula de alguns afeta toda a instituição", afirmou.
Marina também comentou que a crise no STF desviou o foco do debate eleitoral, afastando temas urgentes como saúde, educação, segurança pública, violência contra a população negra e reformas política e do Judiciário. Candidata ao Senado por São Paulo, ela também mencionou a disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas pelo governo paulista.
Na entrevista, Marina criticou a privatização da Sabesp, a escassez de água, a resposta do governo estadual a eventos climáticos extremos e o aumento da violência contra as mulheres. Ela também acusou a família Bolsonaro de articular o tarifaço dos Estados Unidos, que teria retirado cerca de US$ 3 bilhões da economia paulista, impactando setores importantes do estado.
Marina Silva — Ontem foi um dia deplorável para o nosso país, pois a Suprema Corte é a última esperança de justiça para os cidadãos. Quando vemos a Suprema Corte envolvida em episódios graves que podem caracterizar crime de responsabilidade, é um dia deplorável. O pedido de desculpas da ministra Cármen Lúcia demonstra seu respeito pela instituição, mesmo sem ser responsável pelos problemas.
As instituições devem ser imparciais para favorecer o processo democrático, pois é o povo brasileiro que deve decidir. As acusações são sérias e precisam de investigação rigorosa. Defendi que o ministro Alexandre de Moraes se afastasse para responder fora do cargo, e que o ministro Mendonça também esclarecesse sua atuação seletiva no processo.
Marina Silva — Uma eleição é a oportunidade de debater propostas e soluções. Infelizmente, essas eleições estão focadas na crise do Supremo. Deveríamos estar discutindo reformas no Judiciário e no Congresso, que precisa de mudanças significativas, incluindo a questão das emendas parlamentares que sequestram o orçamento público.
Aqueles que se opõem à democracia gostam de ver o povo se queixando, pois isso paralisa as pessoas. Podemos fazer mais do que reclamar: podemos votar em quem defende os direitos humanos, educação de qualidade, saúde, segurança pública, fortalecimento das instituições e autonomia dos Poderes. Cerca de 75% dos jovens que concluem o ensino médio não conseguem ingressar na universidade. Precisamos resgatar o debate com propostas, como eu e Simone Tebet temos feito.
Marina Silva — São Paulo tem um peso enorme na balança eleitoral. Fernando Haddad, candidato ao governo, foi ministro da Fazenda e da Educação, promovendo uma política econômica responsável e socialmente comprometida, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Temos dois desafios em São Paulo: manter a força progressista na região metropolitana e avançar no interior. Nas visitas que faço com Haddad, percebo que muitos prefeitos estão insatisfeitos com o tratamento do governo Tarcísio. Além disso, a privatização da Sabesp causou falta de água e os impactos climáticos, como inundações, são preocupantes. A violência contra as mulheres também é uma grande preocupação. Em 2025, 270 mulheres foram assassinadas em São Paulo, um aumento significativo.
Proponho que as Delegacias da Mulher funcionem 24 horas, com equipes bem treinadas e uma rede de apoio estruturada. Não posso deixar de mencionar o impacto do tarifaço dos EUA, que retirou cerca de US$ 3 bilhões da economia paulista e afetou setores como calçados, autopeças, café e o setor sucroenergético.
Marina Silva — Esse tarifaço foi articulado pela família Bolsonaro, e o governador Tarcísio afirmou que "não era problema dele". Como um prejuízo dessa magnitude para o estado não é problema dele? O presidente Lula tem trabalhado para corrigir essa injustiça, e nós defenderemos São Paulo e o Brasil.







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