
Rapper Oruam permanece em liberdade enquanto ação penal avança (Foto: Instagram)
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negou diversos pedidos feitos pela defesa do rapper Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam, e determinou a continuidade da ação penal em que ele é réu, junto com seu pai, o traficante Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e outras nove pessoas acusadas de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
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A decisão, à qual o Metrópoles teve acesso, mantém o processo em andamento. A ação, que corre em segredo de Justiça, investiga um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa para esconder recursos do tráfico de drogas do CV em comunidades do Rio de Janeiro.
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) acusa Oruam de usar sua carreira artística para disfarçar valores ilícitos e pagar despesas pessoais.
A defesa de Oruam havia solicitado uma perícia técnica nos dados telemáticos e na cadeia de custódia das provas, além de requerer que o Google fornecesse dados brutos do e-mail de um dos réus. Também pediram que a Polícia Judiciária fosse impedida de se manifestar sem convocação judicial ou do Ministério Público.
A Justiça, no entanto, negou todos os pedidos, afirmando que o processo deve seguir as etapas previstas e que antecipar discussões sobre a validade das provas poderia tumultuar o andamento da ação.
Sobre os pedidos de perícia e dados do Google, o tribunal destacou que a defesa não apresentou provas concretas de irregularidades. O pedido para impedir manifestações da Polícia Judiciária foi rejeitado, pois prestar esclarecimentos técnicos faz parte das atribuições legais da corporação.
Apesar da decisão, Oruam permanece em liberdade. Ele também enfrenta uma ação penal do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por disparo de arma de fogo. O rapper foi indiciado por lavagem de dinheiro, envolvimento com o Comando Vermelho e tentativa de homicídio contra policiais civis do Rio de Janeiro.
O advogado de Oruam, Thiago Lemos, afirmou ao Metrópoles que a decisão do TJRJ é equivocada, alegando que a prova que fundamenta a ação penal é ilícita. Lemos declarou que uma perícia já comprovou a ilicitude da prova, que será apresentada ao juízo em breve.
Em 30 de janeiro de 2026, o MPRJ denunciou Oruam, Marcinho VP e mais nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dois meses depois, a Justiça do Rio aceitou a denúncia, tornando todos os onze denunciados réus no processo.
A denúncia da 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada descreve um esquema para "branquear" recursos do tráfico de drogas em comunidades cariocas. Mesmo preso há mais de 20 anos, Marcinho VP ainda teria influência direta sobre o Comando Vermelho, coordenando decisões estratégicas e movimentações financeiras.
A investigação aponta que o grupo operava de forma organizada, com divisão de tarefas e atuação contínua. A gestão financeira seria responsabilidade de Márcia Nepomuceno, que ocultaria o patrimônio por meio de empresas, imóveis e fazendas.
Entre os citados como fornecedores de recursos estão Edgar Alves de Andrade, o Doca, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, e Luciano Martiniano, o Pezão. A denúncia divide o grupo em quatro núcleos: liderança encarcerada, núcleo familiar, suporte operacional e liderança operacional.







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