Polícia Federal combate máfia italiana ligada a 4,6 toneladas de cocaína

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Agentes da PF, Carabinieri e Europol durante cumprimento de mandados da Operação Eredità (Foto: Instagram)

A Polícia Federal (PF) no Paraná iniciou, nesta quinta-feira (17/9), uma operação contra uma organização criminosa associada à máfia italiana, suspeita de enviar grandes carregamentos de cocaína do Brasil para a Europa. Estão sendo cumpridos sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de ordens para bloqueio de bens dos investigados.

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Denominada Operação Eredità, a ação foi desencadeada após a PF descobrir que familiares e antigos associados de mafiosos presos no Brasil teriam assumido os negócios, mantendo a estrutura de tráfico internacional. Conforme a investigação, o grupo continuou utilizando fornecedores, operadores financeiros e rotas anteriormente estabelecidas, principalmente pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.

A PF vincula essa organização a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que totalizaram mais de 4,6 toneladas de cocaína. Os carregamentos tinham como destino países europeus como Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.

A investigação é uma extensão das operações Retis e Spiderweb, que identificaram uma aliança entre membros da máfia italiana e grupos criminosos brasileiros para fornecer a logística necessária à exportação da droga.

Dois mafiosos italianos foram detidos em 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Apesar das prisões e apreensões subsequentes, a PF afirma que a estrutura não foi desmantelada.

Familiares e antigos associados teriam assumido funções estratégicas, continuando a compra, transporte, armazenamento e envio da cocaína. Cerca de 2,2 toneladas da droga relacionadas à investigação já estavam armazenadas no Brasil durante as prisões de 2019 e, conforme a PF, foram movimentadas posteriormente pela organização reestruturada.

O esquema abasteceria um clã mafioso localizado na região de Piemonte, no norte da Itália. A sucessão identificada pelos investigadores deu nome à nova operação: Eredità significa “herança” em italiano.

Além do tráfico de drogas, a PF investiga uma estrutura financeira criada para movimentar e ocultar os lucros obtidos na Europa. O grupo teria usado empresas de fachada, imóveis e outros bens de alto valor, operadores financeiros e sistemas clandestinos de transferências internacionais.

Parte do dinheiro gerado pela venda da cocaína na Europa, segundo a investigação, retornava ao esquema para financiar novas remessas da América do Sul.

Os investigadores também identificaram o uso de plataformas criptografadas e mecanismos de contrainteligência. O cruzamento de mensagens, registros financeiros, imagens de carregamentos e informações sobre contêineres permitiu reconstruir parte das atividades do grupo.

A investigação contou com a colaboração de autoridades brasileiras e italianas e teve apoio da Europol. Investigadores da Itália e um especialista financeiro da agência europeia vieram ao Brasil para acompanhar a operação desta quinta-feira.

Os investigados poderão responder, conforme sua participação, por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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