Alta do petróleo pressiona subsídio do governo Lula antes do 1º turno

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Motorista abastece veículo em posto pressionado pelos altos preços (Foto: Instagram)

Faltando cerca de duas semanas para o primeiro turno das Eleições de 2026, o governo federal enfrenta pressões devido aos altos preços dos combustíveis, resultado do impacto da guerra no Oriente Médio, mesmo após adotar várias medidas para tentar reduzir os custos.

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Desde que a guerra no Oriente Médio começou, em 28 de fevereiro deste ano, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, apenas o etanol teve redução de preço. Os outros combustíveis apresentaram aumento no preço médio de revenda, variando de 3,23% a 14,45%, como é o caso do diesel S10.

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Com o aumento do preço do petróleo impactando os combustíveis no Brasil, o governo inicialmente ofereceu um subsídio para os combustíveis principais, visando conter um possível impacto inflacionário. Em 12 de março, foi concedida uma subvenção direta de R$ 0,32 por litro de diesel a produtores e importadores. No mesmo dia, foi anunciada a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização de óleo diesel, reduzindo o preço em R$ 0,32 por litro. Em 8 de abril, decretos estabeleceram alíquota zero de PIS/Cofins para biodiesel importado e comercializado, gerando economia de R$ 0,15 por litro de biodiesel puro. Em julho, foi concedida subvenção econômica de R$ 0,44 por litro de gasolina, através de Medida Provisória. Em 9 de setembro, o presidente Lula assinou a Medida Provisória 1.391/2026, autorizando nova subvenção econômica de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário. De 10 de setembro a 9 de outubro de 2026, haverá isenção total de PIS/Pasep e Cofins sobre etanol hidratado, gerando alívio de R$ 0,19 por litro. Também neste período, foi determinada redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre importação e comercialização de gasolina.

Os dados são de levantamento de preços de combustíveis disponível no site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A instituição coleta os valores semanalmente em todo o país.

VEJA OS DADOS:
O levantamento da ANP indica que a gasolina comum teve aumento de 3,98% no preço médio de revenda entre 28 de fevereiro e a semana encerrada em 12 de setembro. Em valores absolutos, o preço passou de R$ 6,28 para R$ 6,53. No caso do óleo diesel, a variação foi mais que o dobro da gasolina, com aumento de 8,62%, elevando o preço de R$ 6,03 para R$ 6,55. O diesel tem papel importante na composição da inflação, pois impacta diretamente o valor do frete.

Em março deste ano, por exemplo, a inflação foi de 0,88% — o maior índice mensal do ano. Naquele mês, os derivados de petróleo impulsionaram o índice para cima. O grupo transportes, que inclui combustíveis, subiu 1,64%. A gasolina teve alta de 4,59% e o diesel de 13,9%.

Apesar das altas nos preços, o aumento seria maior sem os subsídios. Analisando os dados da ANP, que observam a última semana de cada mês, o diesel, por exemplo, atingiu o maior preço no fim de março, custando R$ 7,45, e na última semana estava a R$ 6,55. Desde março, várias medidas foram adotadas para conter os preços, como zerar alíquota de impostos, imposição de imposto de exportação para óleo diesel e concessão de subsídios.

No dia 9, o governo federal publicou uma medida provisória que concede crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para custear subvenção à importação e produção de combustíveis.

O valor de R$ 6,6 bilhões foi detalhado no texto da MP com as seguintes destinações:

  • R$ 5,607 bilhões: subvenção econômica à produção e importação de óleo diesel de uso rodoviário;
  • R$ 998 mil: subvenção econômica para produção e importação de combustíveis derivados de petróleo.

ANÁLISE
Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), aponta motivos pelos quais os subsídios não conseguem segurar totalmente os preços dos combustíveis. Ele destaca a dependência de importações, especialmente de diesel; tributos, custos de distribuição e margens de revenda; repasse parcial ou defasado do subsídio aos postos e distribuidoras; aumento da demanda e redução da oferta internacional.

“O subsídio reduz parte do impacto, mas pode não compensar toda a elevação dos custos. Os dados da ANP mostram isso: enquanto o etanol caiu 12,74%, o diesel S10 subiu 14,45%, indicando que os combustíveis mais dependentes do mercado internacional continuam mais pressionados.”

Claudio Felisoni, economista e professor da FIA Business School, concorda que os subsídios não conseguem atenuar os aumentos. Ele afirma que, apesar de o subsídio reduzir parte do impacto da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis, não elimina o problema devido à dependência brasileira de importações de diesel.

“O aumento dos custos de transporte e refino amplia a pressão sobre os preços finais. Além disso, quanto mais prolongado o conflito, maior precisa ser o gasto público para manter os preços controlados, tornando o subsídio fiscalmente mais difícil de sustentar nas condições fiscais atuais”, considera.

ELEIÇÕES À VISTA
Os preços dos combustíveis mais altos comparados ao início da guerra preocupam o presidente Lula, que busca a reeleição. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.

Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, está tecnicamente empatado, segundo as últimas pesquisas eleitorais. No entanto, o filho de Jair Bolsonaro aparece numericamente à frente dentro da margem de erro em alguns levantamentos.

Atualmente, o governo ainda contabiliza as perdas eleitorais e políticas decorrentes da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte é vista majoritariamente como aliada direta do petista, o que faz com que os danos à imagem do Supremo respinguem na campanha de Lula.

A guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Irã e Israel, começou em 28 de fevereiro deste ano. Antes do conflito, o preço do barril de petróleo tipo brent, referência no mercado internacional, estava em torno de US$ 70. Com a escalada do conflito, o preço ultrapassou os US$ 120.

Durante momentos de trégua na guerra, o preço do petróleo chegou a ficar perto de US$ 90. No entanto, a retomada dos ataques fez o preço subir novamente. Na tarde de sexta-feira (18/9), o barril era negociado a US$ 103,72, acumulando queda de 1,05% em 24 horas.

Os preços do petróleo variam diante de restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma importante rota do comércio global. O estreito é a principal via de saída do petróleo produzido na região do Golfo Pérsico, que inclui a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Irã.

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