Contas estrangeiras impulsionam apoio a Flávio Bolsonaro com posts pagos

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Flávio Bolsonaro durante evento, vestindo camisa verde e amarela e ergendo o punho. (Foto: Instagram)

Contas de fora do Brasil na rede social X (anteriormente conhecida como Twitter) estão promovendo publicações pagas em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Esses usuários estrangeiros estão compartilhando previsões da plataforma de apostas Polymarket, que indicam um favoritismo de Flávio nas eleições brasileiras.

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As postagens pró-Flávio foram identificadas pelo próprio X como uma "parceria paga", um selo que indica quando uma publicação é patrocinada ou incentivada por uma marca ou entidade.

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Especialistas consultados afirmam que a Lei nº 9.504/1997 proíbe o impulsionamento de conteúdo eleitoral por terceiros, tanto no Brasil quanto no exterior. As publicações destacam que Flávio "vai salvar o Brasil" e derrotar o "esquerdismo" na América Latina.

Conforme a Lei das Eleições, partidos e candidatos não podem receber doações diretas ou indiretas de entidades ou governos estrangeiros, o que inclui publicidade. Jorge Washington Cançado, especialista em direito eleitoral, destaca que o impulsionamento deve ser contratado por partidos ou candidatos, com identificação clara do contratante, o que não ocorre nas postagens no X.

De acordo com o TSE, a proibição de doações estrangeiras recai sobre a origem dos recursos, não a nacionalidade do doador, e exige prova concreta para confirmação. Caso sejam comprovadas irregularidades, as sanções podem variar de multa à cassação de diploma.

O X apenas sinaliza que a publicação é patrocinada, sem identificar o responsável pelo financiamento. A maioria dos perfis que realizaram as publicações sobre Flávio são dos Estados Unidos, incluindo perfis de destaque como o de Elon Musk e Eduardo Bolsonaro.

A Polymarket utiliza posts pagos no X para transformar flutuações de mercado em "termômetros políticos", conforme análise do site Factchequeado. Entre março e maio, 13 posts patrocinados foram identificados, 11 deles favorecendo políticos de direita.

No Brasil, uma publicação afirmou que Flávio Bolsonaro havia ultrapassado Lula na Polymarket, apresentando isso como um sinal de favoritismo eleitoral. Estratégia semelhante foi vista em conteúdos sobre candidatos na Colômbia e Peru.

Donald Trump Jr. é investidor da Polymarket e faz parte do conselho consultivo desde 2025. Em abril de 2026, o governo brasileiro bloqueou o acesso a sites de previsão, incluindo a Polymarket, por falta de regulamentação.

Eduardo Bolsonaro republicou algumas dessas postagens, e perfis bolsonaristas como Mário Frias e Lucas Pavanato também compartilharam o material, usando a frase "vai ser no primeiro turno". A repetição dessa frase por outros perfis brasileiros reforça a narrativa de uma vitória de Flávio no primeiro turno, mas não indica ação coordenada.

A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro foi contatada, e o espaço permanece aberto para comentários.

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