Javier Milei fortalece laços com militares na Argentina

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Javier Milei em pronunciamento ao anunciar a transferência de controle da Quinta de Olivos à Casa Militar (Foto: Instagram)

A transferência do controle operacional da Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência da Argentina, da esfera civil para a Casa Militar, anunciada na semana passada, é o mais recente passo na aproximação de Javier Milei com as Forças Armadas. Embora a medida possa parecer uma decisão focada em segurança, ela ganha outra dimensão quando considerada junto às declarações do presidente sobre a revisão da memória da ditadura, ao aumento dos recursos para a Defesa e às iniciativas em relação às Malvinas, compondo um movimento mais amplo de revalorização do papel dos militares no governo libertário.

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A mudança em Olivos tem um significado simbólico. O governo anunciou que a Casa Militar, composta por membros das Forças Armadas e responsável pela segurança presidencial, agora também gerenciará a residência. A administração civil será dissolvida e parte do pessoal civil foi demitida ou transferida. O governo justifica a decisão pela necessidade de fortalecer a segurança e aumentar a eficiência administrativa.

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Em 2025, a Argentina incorporou os primeiros caças F-16 de um total de 24 que foram adquiridos da Dinamarca. Em 2026, o governo lançou o Plano ARMA, destinando 10% das receitas obtidas com vendas, aluguéis ou privatizações de ativos do Estado para reequipar as forças militares. Em julho, o governo anunciou aumentos salariais de 10% a 25% para militares com formação técnica, graduação e pós-graduação.

A "motosserra" não afeta os gastos militares. O Orçamento de 2026 continua com uma política de forte contenção fiscal, mas o Ministério da Defesa obteve um aumento real de cerca de 14% em relação a 2025, de acordo com dados do governo apresentados no Congresso. Em setembro, após colocar as Malvinas novamente no centro da agenda, Milei aumentou em quase 218 bilhões de pesos os recursos destinados à Defesa e às Forças Armadas por decreto.

São grandes movimentações financeiras que refletem os discursos do presidente desde a campanha eleitoral. Milei e sua vice-presidente, Victoria Villarruel, defendem uma "memória completa" sobre a ditadura, equiparando a violência das organizações guerrilheiras de esquerda ao terrorismo de Estado dos militares entre 1976 e 1983. Em 2026, o governo voltou a questionar o número de 30 mil desaparecidos e, no aniversário de 50 anos do golpe, publicou um vídeo criticando a interpretação consensual sobre o período.

O projeto de Lei de Defesa da Soberania Nacional, enviado ao Congresso em 17 de setembro, é apresentado como um instrumento para impedir a exploração de recursos naturais nas Malvinas e cria um Sistema de Segurança Nacional e um Conselho de Segurança Nacional presidido pelo presidente. O texto articula Defesa, inteligência, economia, cibersegurança, infraestrutura e proteção da soberania.

Especialistas ouvidos pelo jornal Clarín apontam que o ponto mais sensível está na fronteira entre Defesa Nacional e segurança interna. A legislação argentina distingue as funções das Forças Armadas das forças de segurança. O novo projeto desfaz parte dessa fronteira. O ex-ministro da Defesa Agustín Rossi alertou que essa mudança pode abrir espaço para a atuação militar em questões de segurança interna.

A Casa Rosada afirma que o projeto visa proteger a Argentina contra ameaças externas e impedir que Estados ou organizações estrangeiras financiem campanhas massivas de desinformação. A proposta ainda precisará ser aprovada pelo Congresso e seus efeitos concretos dependerão do texto final e de sua implementação.

A questão, portanto, vai além de quanto Milei pretende gastar com os militares. É sobre o papel que o governo deseja que as Forças Armadas desempenhem no Estado argentino. E, pelas medidas tomadas até agora, esse papel tende a se expandir.

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