
Pessoa ajusta o ar-condicionado em ambiente interno (Foto: Instagram)
Diante das crescentes ondas de calor e dos altos custos com energia devido ao uso do ar-condicionado, alternativas sustentáveis estão ganhando destaque. Uma dessas inovações são os materiais de resfriamento radiativo passivo, como tintas, filmes e tecidos tecnológicos, que conseguem reduzir a temperatura de superfícies sob a luz solar sem consumir energia elétrica.
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A base científica dessa tecnologia é a seletividade espectral. O mestre em ciência de materiais, José Ribamar, explica que esses materiais funcionam de maneira oposta aos revestimentos tradicionais.
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“Enquanto as tintas comuns apenas refletem a luz visível, mantendo a temperatura da superfície igual à do ar, os materiais de resfriamento radiativo refletem a maior parte da radiação solar e têm alta emissividade no infravermelho médio”, afirma Ribamar.
Esse mecanismo permite que o material troque calor diretamente com o espaço por meio da "janela de transparência atmosférica" (entre 8 a 13 micrômetros). Assim, a superfície pode ficar entre 10 °C e 15 °C mais fria que o ar ambiente, compensando o ganho térmico por condução e convecção.
A nanotecnologia é essencial para esse efeito. Betina Zanetti, doutora em nanotecnologia e diretora da ACATE, destaca a importância da manipulação em escalas microscópicas para controlar como o material interage com a radiação solar, evitando aquecimento e emitindo calor eficientemente.
No entanto, especialistas alertam que o resfriamento radiativo passivo não substitui o ar-condicionado, mas serve como um complemento. Ele alivia a carga térmica de superfícies, enquanto o ar-condicionado remove ativamente o calor do ar em ambientes fechados, permitindo controle preciso da temperatura.
A tecnologia passiva também enfrenta desafios ambientais. “A eficiência diminui com umidade relativa acima de 60%, céu nublado ou ar parado, pois o vapor d’água absorve o infravermelho e devolve a radiação para a superfície”, explica Ribamar. Altas ocupações humanas ou calor gerado por eletrônicos demandam refrigeração elétrica.
O grande trunfo é a prevenção e o impacto urbano. “Esses materiais reduzem a demanda elétrica e o pico de consumo ao evitar a entrada de calor”, ressalta Betina. Em escala urbana, sua aplicação pode mitigar o efeito das ilhas de calor nas cidades.
A popularização enfrenta o desafio da durabilidade das nanoestruturas contra poeira, chuva e raios UV. Superado esse obstáculo, a tecnologia passiva se consolida como peça-chave na arquitetura sustentável e na transição energética global.
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