
Ministro da Saúde Alexandre Padilha e executivo da Mindray em Shenzhen, China (Foto: Instagram)
Uma empresa chinesa de equipamentos médicos ampliou em 13 vezes suas vendas ao governo federal durante a gestão de Lula (PT), alguns meses após o ex-ministro Rui Costa (Casa Civil) e o ministro Alexandre Padilha (Saúde) realizarem visitas à China. Durante a viagem, Rui Costa se encontrou com representantes dessa empresa.
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Os contratos do governo brasileiro são com a Hospcom Equipamentos Hospitalares, que representa a gigante chinesa Mindray no país. A Hospcom recebeu R$ 107 milhões do governo federal até 24 de agosto de 2026, conforme dados analisados no Siga Brasil, sistema que monitora os gastos do governo federal.
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Em 2025, os pagamentos somaram pouco mais de R$ 8 milhões em todo o governo federal. Os contratos foram firmados com o Ministério da Saúde, hospitais universitários e hospitais das Forças Armadas.
No ano de 2026, a Hospcom se destacou como a empresa que mais recebeu do governo federal pela venda de equipamentos médico-hospitalares, superando grandes nomes do setor, como Philips, Siemens Healthcare, GE Healthcare e Canon Healthcare, mesmo considerando o desempenho recente das 100 maiores fornecedoras deste tipo de equipamento ao governo, ajustado pela inflação no período pós-pandemia.
O Ministério da Saúde afirmou que é "descabida" a relação entre as viagens dos ministros e o aumento dos gastos.
Os pagamentos do governo federal à representante da Mindray no Brasil são em grande parte resultado de um pregão realizado pelo Ministério da Saúde no final de 2025. O processo ocorreu seis meses após Rui Costa, da Casa Civil, ter visitado a China, em abril de 2025. Durante a visita, Rui Costa se reuniu com representantes de empresas, incluindo a Mindray, no Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai.
Por meio do PAC Saúde, a Hospcom venceu a licitação para fornecer 978 aparelhos para anestesia, monitores, sistemas de endoscopia e ultrassom portátil. Os contratos com o Ministério da Saúde somam R$ 108 milhões, de acordo com a ata de registro de preços da disputa.
Mesmo tendo vencido a licitação em 2025, os pagamentos mais significativos só começaram a ser realizados após uma visita do ministro Alexandre Padilha à sede da Mindray, em Shenzhen (China), em março deste ano.
Segundo Padilha, "o Ministério da Saúde do Brasil atribui elevada importância à cooperação com a Mindray". Até março, o governo federal havia pago apenas R$ 354 mil à Hospcom, conforme registros do Siga Brasil. Em 2025, os pagamentos totalizaram R$ 8 milhões.
Em abril de 2026, mês seguinte à visita de Padilha, o Ministério da Saúde pagou R$ 13 milhões à representante da Mindray no Brasil. Outros R$ 12 milhões foram pagos em maio.
Até 24 de agosto, os repasses acumulados ao longo do ano de todo o governo federal – Saúde, MEC e Forças Armadas – chegaram a R$ 107 milhões (R$ 108 milhões em valores corrigidos). Ainda em agosto, Weverton Coelho e seus familiares, que dirigem a Hospcom, afirmaram em entrevista que a empresa faturou R$ 240 milhões em todo o Brasil em 2025. A família projetava vender R$ 500 milhões nos próximos anos.
Na entrevista, Gabriel Coelho, filho de Weverton Coelho, mencionou que a empresa "participa da definição das especificações técnicas antes mesmo da licitação".
O Ministério da Saúde, a Mindray, a Hospcom e a Casa Civil negaram qualquer relação entre o aumento das vendas e os encontros dos ministros na China. A contratação da Hospcom foi feita por meio de licitações, cujos "lances vencedores foram até 49,6% menores que os dos concorrentes, resultando em uma economia de R$ 94,8 milhões aos cofres públicos", afirmou a assessoria.
Weverton Coelho, fundador da Hospcom, destacou que a empresa conseguiu reduzir bastante os preços durante a licitação.
A Casa Civil afirmou que a agenda de Rui Costa na China, em 2025, teve caráter "institucional" e envolveu várias empresas, não apenas a Mindray. A participação de representantes da Casa Civil nessas agendas não teve relação com processos de contratação ou pagamentos, segundo a Casa Civil.







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