Congressistas dos EUA acusam Trump de interferir nas eleições brasileiras

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Parlamentares dos EUA cobram de Marco Rubio compromisso de não interferência nas eleições de 2026 no Brasil (Foto: Instagram)

Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na quinta-feira (24/9), expressando preocupação com o que consideram uma tentativa de interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026.

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O documento, assinado por 30 deputados e o senador Bernie Sanders, solicita que o governo norte-americano se comprometa publicamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer os resultados das urnas.

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Os parlamentares também pedem explicações sobre várias medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil desde 2025, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros, sanções contra autoridades do país, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, e ações relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro.

A carta afirma que essas medidas representam uma campanha de pressão diplomática, econômica e política contra instituições brasileiras, segundo os próprios parlamentares que assinam o documento.

A carta foi enviada dois dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursar na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, sobre soberania e interferência estrangeira. Sem mencionar os EUA, Lula afirmou que o Brasil não permitiria "ingerência externa em processos eleitorais" nem ações contra a vontade popular.

ELEIÇÃO DE OUTUBRO
Os parlamentares expressaram preocupação com a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo sábado, 4 de outubro.

Eles apontam que as ações recentes do governo americano indicam um "aparente esforço para interferir e potencialmente enfraquecer" as eleições brasileiras.

A carta menciona uma reunião em maio entre Trump e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na qual Flávio teria pedido aos Estados Unidos que classificassem o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras.

Dois dias depois, segundo os parlamentares, o Departamento de Estado anunciou a designação de ambas as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

Os congressistas relacionam esses eventos e afirmam que o governo brasileiro havia proposto ampliar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado transnacional.

TARIFAÇO E SANÇÕES
Os parlamentares também mencionam as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e as sanções aplicadas a autoridades do país.

Na carta, o grupo afirma que o governo Trump utilizou medidas econômicas e diplomáticas para pressionar autoridades brasileiras durante o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os congressistas questionam ainda os critérios usados pelo governo americano para aplicar a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

Um dos pedidos a Rubio é que o Departamento de Estado explique os padrões jurídicos e probatórios utilizados para determinar que o ministro preenchia os critérios para ser alvo da legislação americana.

SISTEMA ELEITORAL
Outro ponto citado é a tentativa de visita ao Brasil de dois funcionários do Departamento de Estado: Riley M. Barnes e Samuel Samson.

Segundo a carta, os parlamentares receberam informações de que a delegação pretendia questionar a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.

O Itamaraty negou os vistos aos dois americanos.

O documento afirma que, posteriormente, o governo Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

Os congressistas classificam a sequência de episódios como parte de uma escalada nas relações entre os dois países e demonstram preocupação com novas ações americanas durante o período eleitoral.

PEDIDO DE COMPROMISSO A RUBIO
Ao final da carta, os parlamentares fazem sete pedidos ao secretário de Estado norte-americano.

Entre eles, estão:

  • explicar os critérios usados para possíveis sanções contra estrangeiros;
  • justificar as sanções contra Alexandre de Moraes;
  • justificar a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas;
  • detalhar a cooperação dos EUA com países do Hemisfério Ocidental em democracia e direitos humanos;
  • justificar a revogação do visto de Maria Luiza Viotti;
  • respeitar o processo eleitoral brasileiro;
  • reconhecer o resultado das eleições de 2026 e manter relações com o vencedor.

Os parlamentares deram prazo até 1º de outubro para que o Departamento de Estado apresente respostas aos questionamentos.

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