Declarações de Milei na ONU intensificam distanciamento entre Brasil e Argentina

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Javier Milei reafirma apoio a Flávio Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU (Foto: Instagram)

Javier Milei voltou a manifestar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) durante a Assembleia Geral da ONU, afirmando que a vitória do candidato de direita poderia interromper o "curso socialista decadente" no Brasil sob o governo de Lula. Com isso, o presidente argentino afastou ainda mais a possibilidade de uma reaproximação diplomática entre Brasília e Buenos Aires.

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Após discursar diante de outras lideranças mundiais, Milei foi questionado sobre a possível adesão do Brasil ao Escudo das Américas caso Flávio seja eleito presidente em outubro.

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A crise diplomática entre Brasil e Argentina, que se intensificou desde o final de julho, foi desencadeada por ataques de Milei contra Lula. Além de apoiar Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário", "ladrão" e "corrupto", o que levou o governo brasileiro a retirar o embaixador do Brasil na Argentina.

Criada em março pelos EUA, a coalizão de segurança Escudo das Américas é composta por 15 países da América Latina, todos alinhados aos interesses norte-americanos. Brasil e México não foram convidados a participar.

"O Brasil participar do Escudo das Américas é uma questão interna, mas espero que o país possa romper com este curso socialista decadente e abraçar novamente as ideias de liberdade", disse Milei na ONU.

A relação diplomática entre Brasil e Argentina foi oficialmente rebaixada em agosto, quando o Itamaraty decidiu não enviar o embaixador Julio Bitelli de volta a Buenos Aires após os ataques de Milei. Os ataques começaram em 25 de julho, quando Milei participou da convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, chamando Lula de "presidiário" e acusando-o de levar o Brasil ao "caminho da crise".

Um dia depois, Milei acusou Lula de interferir nas eleições locais em 2023, afirmando, sem provas, que o presidente brasileiro teria investido 1 bilhão de dólares na campanha de Sergio Massa. Nos dias seguintes, Lula também foi rotulado como "ladrão e corrupto".

Após o retorno de Bitelli ao Brasil, o Itamaraty realizou quatro reuniões para avaliar a situação e convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para esclarecimentos. Em 4 de agosto, o governo brasileiro decidiu não enviar Bitelli de volta à Argentina, e o embaixador argentino também deixou o Brasil.

Desde então, as embaixadas dos dois países são chefiadas por diplomatas com funções administrativas e consulares, simbolizando o rebaixamento das relações, já que as embaixadas permanecem sem um representante máximo.

Na época, fontes do Itamaraty afirmaram que Bitelli só retornaria a Buenos Aires caso os ataques de Milei cessassem ou houvesse uma retratação, o que não ocorreu.

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