
Manifestante ergue placa “Machismo mata” em ato contra violência política de gênero (Foto: Instagram)
O Partido dos Trabalhadores (PT) acredita que há um padrão de ataques coordenados contra suas candidatas nas eleições deste ano. Segundo a coordenação do partido, esses ataques de violência política de gênero são promovidos por grupos masculinistas associados à extrema direita.
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Os ataques frequentemente incluem ameaças de morte e violência sexual, racismo, exposição de dados pessoais, ataques a familiares e tentativas de deslegitimar a presença das mulheres na política, com o objetivo de afastá-las da vida pública.
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Até a última terça-feira (22/9), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 177 casos de violência política de gênero em 2026. Este ano, as mulheres representam 34,85% das candidaturas, com cerca de 7,1 mil mulheres entre os 20,5 mil candidatos totais. Os dados são do TSE.
De acordo com Mazé Morais, secretária nacional de Mulheres do PT, os casos de violência não são isolados e apresentam semelhanças. Ela afirma que o partido recebe quase diariamente novos relatos de violência, com candidatas de estados como Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Piauí entre as afetadas.
Mazé Morais declarou que grupos de homens, que se apresentam como defensores dos direitos masculinos, são alimentados nas redes sociais para disseminar misoginia, racismo e violência política. O objetivo é atacar e ameaçar as mulheres, expondo suas vidas privadas para aterrorizá-las e fazê-las desistir de suas candidaturas.
A Secretaria de Mulheres do PT oferece apoio jurídico às candidatas do partido e mantém diálogo com órgãos responsáveis por investigar os casos e acionar medidas protetivas. As mulheres ameaçadas são incluídas em grupos de WhatsApp para acompanhamento.
No começo de setembro, Ana Elisa Santos Silva, candidata a deputada federal por Minas Gerais, recebeu mensagens racistas e ameaças de morte e estupro por e-mail. O autor se identificou como membro de um grupo supremacista branco, mencionou dados pessoais da vítima e ameaçou também seus familiares.
Os 177 casos de violência política de gênero em 2026 já são mais que o dobro do registrado no último ano eleitoral pelo TSE, que contabilizou 78 casos em 2024, representando um aumento de 126,9%.
A violência política de gênero é considerada crime eleitoral desde 2021, com pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa.
Dos 177 casos registrados em 2026, 63 são da região Sudeste, 37 da região Sul, 36 da região Nordeste, 21 da região Norte e 20 da região Centro-Oeste. Além do TSE, o Ministério Público Federal (MPF) registrou outros 34 casos neste ano.
Na última terça-feira, a Corte eleitoral apresentou a ferramenta Likeness ID, desenvolvida pelo YouTube, para ajudar candidatos a identificar conteúdos que utilizem suas imagens de forma indevida. Outra tecnologia, desenvolvida em parceria com a empresa ElevenLabs, busca proteger candidatos contra clonagem de voz.
Foi também lançada a campanha “Política é Substantivo Feminino”, uma iniciativa do MPF e da Justiça Eleitoral para informar sobre as diferentes formas de violência política contra mulheres no contexto eleitoral.







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