Abstenção pode afetar resultado em eleição acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro

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Calendário eleitoral e urna eletrônica ressaltam a importância do voto (Foto: Instagram)

Em uma disputa intensa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principais candidatos à Presidência da República neste ano, a participação dos eleitores se torna ainda mais crucial para determinar o próximo presidente do Brasil.

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Especialistas preveem que, assim como em 2022, as eleições deste ano continuarão a registrar altos índices de abstenção.

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A ausência dos eleitores nas urnas pode impactar diretamente o candidato eleito, já que a decisão é baseada nos votos efetivamente computados, e não no total de eleitores aptos. Portanto, um maior índice de abstenção tende a reduzir o número de votos válidos que definem o resultado.

“A questão central é quais segmentos da sociedade se abstêm mais ou menos. Se a abstenção fosse distribuída uniformemente entre todos os segmentos do eleitorado, o impacto sobre o resultado seria igual para todos os candidatos. No entanto, a abstenção geralmente não é uniforme: certos grupos sociais e regiões apresentam taxas de comparecimento diferentes”, analisa o cientista político Leandro Gabiati.

Em teoria, isso significa que a composição dos eleitores que comparecem às urnas pode se tornar mais relevante: grupos com maior disposição para votar acabam tendo um peso relativo maior entre os votos contabilizados. Nesse contexto, Gabiati destaca o esforço das campanhas para levar os eleitores às urnas.

“Por isso, na última semana antes de cada turno, as campanhas não apenas disputam votos, mas também incentivam seus apoiadores a comparecerem às urnas”, comenta.

ABSTENÇÕES NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
2018
1º Turno
20,3%– 29.941.171 eleitores

2º Turno
21,3%– 31.372.373 eleitores

2022
1º Turno
20,9%– 32.770.982 eleitores

2º Turno
20,5% – 32.200.558 eleitores

RAZÕES PARA AS ABSTENÇÕES
Para analistas, diversas razões podem levar o eleitor a não comparecer às urnas. O principal fator, no entanto, pode ser explicado por questões estruturais, como a dinâmica do processo eleitoral brasileiro, acessibilidade e o contexto político atual do país.

Sobre os fatores estruturais, os especialistas mencionam o fato de o voto ser obrigatório no Brasil, com sanção simbólica como multa de R$ 3,51 para quem não vota e não justifica a ausência. A facilidade para justificar a ausência também contribui para o aumento da abstenção.

“A Justiça Eleitoral disponibilizou aplicativos que permitem justificar o voto com mais facilidade. Basta abrir o aplicativo, que identifica que você está fora do seu domicílio eleitoral e permite a justificativa do voto ali. Isso reduziu os custos para não votar, enquanto o voto continua obrigatório”, avalia o professor do curso de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O terceiro fator, segundo Leandro Gabiati, é o envelhecimento do eleitorado — acima de 70 anos, o voto passa a ser facultativo. Também pesa o componente socioeconômico: no primeiro turno de 2022, 55% dos que se abstiveram tinham estudado apenas até o ensino fundamental, população mais pobre e com dificuldades para se deslocar até o local de votação.

Além dos fatores estruturais, o professor da UFPI destaca questões políticas que, neste ano, também podem influenciar os índices de abstenção. Ele observa que o país vive um momento de hiperpolarização entre “lulopetismo” e “bolsonarismo”, com um patamar estável de 20% de abstenções e outros 20% a 25% dispersos na terceira via.

“Em uma eleição tão competitiva e com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, as campanhas tentam atrair esse eleitor desiludido, que faz um cálculo de custo-benefício e acha que o voto não será decisivo“, afirma.

ABSTENÇÃO X VOTO NULO
É importante destacar a diferença entre abstenção e voto nulo. Conforme definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção refere-se à não-participação do eleitor no ato de votar. Ou seja, é a contagem dos eleitores aptos que não compareceram à seção no dia da votação.

O voto nulo, por outro lado, é quando o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. Nesse caso, o eleitor precisa comparecer às urnas para expressar o desejo de anular o voto.

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