
Modelos desfilam saias plissadas e volumes estratégicos na passarela da Prada em Milão. (Foto: Instagram)
Para Miuccia Prada, a saia é tão versátil quanto uma camiseta branca. Admiradora assumida da peça, ela, junto com Raf Simons, desenvolveu quase um estudo sobre a saia: os 64 looks da coleção primavera/verão apresentados recentemente na Semana de Moda de Milão eram todos compostos por saias. Assim, a peça se torna uma grande aposta para a próxima estação, ganhando novo destaque nas modelagens.
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A saia, que não surgiu como um marcador de gênero, mas como uma das formas mais práticas de vestir, esteve presente em muitas civilizações antigas. No Egito, Grécia, Roma, e em várias culturas africanas e asiáticas, homens e mulheres usavam variações do que hoje chamamos de saias, sem qualquer associação direta com a divisão de gênero.
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Desde 1800, o uso de calças por mulheres era formalmente restrito, com Paris exigindo autorização policial para que mulheres pudessem vestir roupas consideradas masculinas. A era vitoriana reforçou ainda mais essa separação ao longo do século 19.
A saia foi então reinterpretada. Nos anos 1960, Mary Quant popularizou a minissaia, rompendo com séculos de modelagens longas e restritivas, tornando-se um símbolo de liberação sexual e autonomia sobre o corpo. Assim, a peça passou a representar, no século 20, a libertação de uma feminilidade até então presa por convenções sociais.
Os modelos com transparência fazem um jogo intencional entre mostrar e revelar, aproximando o ousado do clássico. No desfile da Prada, a transparência foi explorada através de um tecido plastificado nas saias plissadas, com detalhes bordados. Hoje, já é possível encontrar modelos que brincam com transparência e opacidade em tecidos mais leves, modernizando a tradicional saia midi.
A sobreposição de peças de baixo é uma tendência crescente nas últimas temporadas. A Prada renovou essa aposta ao mostrar que adicionar uma peça sobre a outra pode trazer informação de moda à produção, mesmo nos dias mais quentes.
Os volumes diferenciados nas saias elevam a peça a um nível de destaque, conferindo mais força às produções. Com modelagens amplas e estruturas marcadas, a saia se torna protagonista dos looks, criando efeitos visuais que vão além de sua função tradicional, resultando em composições mais expressivas.
A Prada também mostrou como a combinação de diferentes texturas pode transformar um visual com saia. Em couro, tecidos de diferentes pesos e acabamentos ou com aplicações variadas, a peça aparece em propostas que exploram os aspectos visuais e táteis dos materiais, resultando em produções mais interessantes pela mistura de superfícies, tirando a saia do lugar-comum.







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