Dólar sobe 0,86% e fecha a R$ 5,22 com alta do petróleo e juros nos EUA

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Rolos de notas de dólar sobre mesa evidenciam alta da moeda (Foto: Instagram)

Nesta segunda-feira (28/9), o dólar apresentou uma alta significativa de 0,86% em relação ao real, fechando a R$ 5,22. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia com uma leve queda de 0,26%, aos 182,9 mil pontos, o que indicou uma certa estabilidade no pregão.

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A valorização da moeda americana ocorreu em meio a um ambiente de aversão ao risco, impulsionado tanto pelo aumento do preço do petróleo, após um novo impasse nas negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, quanto pela expectativa de elevação dos juros americanos em outubro.

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O aumento do petróleo ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou no sábado (26/9) uma proposta iraniana de trégua de sete dias na guerra. A oferta incluía a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, um canal crucial para o escoamento da commodity. Trump afirmou que os iranianos "querem um acordo, mas não é o acordo que desejo".

Na tarde desta segunda-feira, no entanto, Trump recuou. Ele declarou que a guerra contra o Irã terminará "muito em breve" com vitória americana e que autoridades dos EUA retomaram conversas com mediadores iranianos.

O recuo do presidente dos EUA aliviou a alta da commodity. Assim, o barril do tipo Brent para novembro, que é referência no mercado internacional, subiu 0,92%, a US$ 105,28. O tipo West Texas Intermediate (WTI) para o mesmo mês, referência nos Estados Unidos, avançou 0,21%, a US$ 92,60 por barril.

Apesar de a alta do petróleo ter perdido força durante o pregão, o temor de que a energia mantenha a inflação americana ativa foi reacendido. Isso poderia exigir juros básicos mais altos ou mantê-los elevados por mais tempo para conter a inflação.

Essa possibilidade levou a uma nova alta nos juros dos Treasuries, os títulos da dívida americana. Os rendimentos desses papéis de dez anos, referência para os custos de financiamento global, já ultrapassaram 5,2% na semana passada, atingindo o nível mais alto desde 2007.

No Brasil, o movimento do câmbio seguiu a tendência global. Às 16h50, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,24%, aos 101,21 pontos.

Internamente, o contexto também foi influenciado pela repercussão de pesquisas eleitorais, que mostraram uma leve recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. O mercado é amplamente favorável à eleição de Flávio.

João Vitor Saccardo, da Convexa, destaca que no Ibovespa, o aumento do preço do petróleo impulsionou as ações da Petrobras, sustentando o índice. O mesmo ocorreu com a Vale, cujos papéis têm forte peso no Ibovespa.

Emerson Junior, da mesma corretora, comenta que a alta do dólar refletiu "posições defensivas dos investidores diante da perspectiva de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro". "No mercado de energia, apesar do petróleo ter se afastado das máximas após acomodações geopolíticas, a cautela macroeconômica prevaleceu, sustentando a alta dos rendimentos dos Treasuries", afirma.

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa, observa que os juros futuros avançam nesta segunda-feira, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. "A partir de 2029, as altas ganham força e chegam a cerca de 14 pontos-base em alguns vértices, enquanto a parte curta permanece praticamente estável", explica. "O movimento é resultado principalmente de uma combinação de pressão externa e aumento de prêmio doméstico, em um dia de maior cautela nos mercados."

Dadoorian acrescenta que, no Brasil, os problemas do ambiente externo se somaram às incertezas locais. "O Boletim Focus trouxe nova alta da expectativa de inflação para 2026, enquanto a proximidade das eleições e a disputa apertada nas pesquisas mantêm o prêmio político e fiscal", diz. "Com isso, o mercado passa a exigir taxas maiores de juros, principalmente nos prazos mais longos, os mais sensíveis às expectativas de inflação, trajetória fiscal e cenário eleitoral."

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