Terras raras do Brasil e a influência de Trump e Bolsonaros

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Cartoon mostra Donald Trump e J.D. Vance desembarcando com a Rockbridge Network enquanto bolsonaristas recebem presentes rotulados como ‘Terras Raras’, ‘Soberania’ e ‘PIX’. (Foto: Instagram)

Começo com um ditado popular da minha terra, Dois Córregos (SP), lar da Caverna do Unhudo: “Quando você está indo com o milho, estou voltando com o fubá”. Nas redes e em algumas previsões futuras, a extrema direita produz soluções rápidas e erradas para problemas complexos, ao contrário dos progressistas que buscam um bom debate. Por quê? Porque é mais fácil oferecer essas soluções, como dizia H.L. Mencken.

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Enquanto nos distraímos com as tarifas de Donald Trump, ele e os Bolsonaros já negociavam as terras raras com estrangeiros. O objetivo não é apenas conquistar o governo do Brasil, mas negociar essas terras e atuar como força interventora do neocolonialismo de Trump. Renan Santos, candidato do Missão, destacou essa questão, trazendo dados concretos, embora não seja de esquerda. Ele expôs a relação dos Bolsonaros com os neocolonialistas.

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Os bolsonaristas, junto com o trumpismo, são críticos do "globalismo", atacado por Trump na ONU em 22 de setembro. Contudo, o interesse real é outro, como revelou uma reportagem da Folha. A Rockbridge Network, um clube de investimentos fundado pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, estabeleceu presença no Brasil. O objetivo? "Combater o progressismo" e "salvar a civilização ocidental", apoiando a candidatura de Flávio à Presidência.

Aqueles que criticam ONGs internacionais agora abraçam o intervencionismo de entidades privadas estrangeiras. A Rockbridge não é apenas um grupo que promove valores ocidentais, mas um ecossistema que reúne bilionários da tecnologia e magnatas do petróleo, operando fora dos Parlamentos.

É crucial capturar infraestruturas que consideram "quintais": meios de comunicação, redes de ensino e institutos de pesquisa. O grupo de Vance atua como um "Uber do reacionarismo cultural", fornecendo o motor financeiro e a estratégia algorítmica.

A candidatura de Flávio encontrou um padrinho na franquia de J.D. Vance. A engrenagem já está em movimento. Durante a semana do Brasil em Nova York, Chris Buskirk, cofundador da Rockbridge, falou a empresários brasileiros em um encontro mediado por Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi.

A "salvação do Ocidente" tem um preço. A reportagem da Folha revelou que para se tornar membro da Rockbridge, havia categorias de contribuição: Keystone, com US$ 500 mil anuais, e Visionary, com US$ 1 milhão, aceitando pagamentos em dólar, criptomoedas, ações e trusts.

A parte mais interessante do esquema é quando a "salvação do Ocidente" se conecta com as nossas riquezas minerais. Em 28 de março de 2026, no Texas, Flávio Bolsonaro prometeu que o Brasil seria a solução para os EUA se livrarem da dependência de minerais críticos da China.

Enquanto o clã Bolsonaro oferece facilidades aos colonizadores, a dinastia Trump também busca lucrar aqui. Outra reportagem da Folha revelou que uma empresa financiada por Donald Trump Jr. fechou um acordo para explorar terras raras em Minas Gerais.

O caso chegou ao Supremo. O PT, por meio do deputado Lindbergh Farias, protocolou uma petição exigindo investigação sobre a influência estrangeira. Uma apresentação intitulada "Prosperity Partnership" foi descoberta, ligando Flávio Bolsonaro a uma aliança Brasil-EUA.

Renan Santos também destacou que J.D. Vance trabalha com a Rockbridge na campanha de Flávio. Tallis Gomes e Pedro Sang foram mencionados como representantes do grupo. Tallis negou envolvimento em arrecadação ou doações, enquanto Sang explicou que a iniciativa de atrair investimentos para IA no Brasil não avançou.

A Rockbridge busca ganhos objetivos, mas seu método é a desestabilização institucional. Além disso, contas estrangeiras no X promovem a candidatura de Flávio, com Trump Jr. investindo na empresa Polymarket.

O Brasil é mais complexo do que parece. Nosso projeto de "fascismo" buscou adesão de "fracos", os miscigenados. João Cândido Felisberto, líder da "Revolta da Chibata", se filiou à Ação Integralista Brasileira, defendendo a ditadura militar.

J. Chasin, em "O Integralismo de Plínio Salgado", menciona que a salvação brasileira reside na afirmação de sua nacionalidade, sem interrupções em sua formação. O Integralismo não era "internacionalista", mas buscava definir uma nacionalidade a partir de uma "impureza".

Não estou associando o Missão ao Integralismo, mas destacando que o bolsonarismo é a primeira manifestação de extrema direita verdadeiramente entreguista no Brasil. Durante a Guerra Fria, a direita acusava a esquerda de ser financiada pelo "ouro de Moscou". Agora, o bolsonarismo-trumpismo traz o "Ouro de Washington", com Flávio disposto a vender as terras raras.

A chegada da Rockbridge ao Brasil expõe a farsa do conservadorismo de fachada. Trata-se de um arranjo de negócios que apela a um proselitismo sem memória do Integralismo, a manifestação mais robusta da extrema direita no Brasil.

Os integralistas sonhavam governar o Brasil por acreditarem em uma "revolução espiritual". Flávio e seus aliados oferecem oportunidades aos EUA, dispostos a negociar tudo. Essa é a divisa dos que apoiam o neocolonialismo, a turma do fubá da impostura.

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