Brasil elabora plano para evitar interferência dos EUA nas Eleições 2026, afirma NYT

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Eleitor prestes a confirmar voto na urna eletrônica da Justiça Eleitoral (Foto: Instagram)

Autoridades brasileiras desenvolveram uma estratégia para proteger o processo eleitoral contra possíveis interferências do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais deste ano. A informação foi divulgada pelo The New York Times, em reportagem publicada na segunda-feira, 28 de setembro.

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Conforme o jornal, o Brasil está construindo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência dos Estados Unidos. O receio é que Trump repita no Brasil a estratégia já usada em outras eleições na América Latina.

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Ainda segundo o NYT, embora o presidente americano não tenha declarado apoio direto a nenhum candidato, ele teria impulsionado indiretamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Entre as medidas mencionadas pelo jornal estão o monitoramento de lobby estrangeiro, rastreamento de campanhas de desinformação nas redes sociais, combate a acusações falsas sobre fraude eleitoral e articulação com outros países para uma resposta conjunta após a divulgação do resultado.

A reportagem relata que missões diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países estariam em conversas informais sobre como responder conjuntamente após as eleições. Três diplomatas estrangeiros de alto escalão ouvidos pelo NYT afirmaram que essas nações devem defender rapidamente a integridade da eleição brasileira, independentemente do vencedor. No entanto, há receio de um confronto direto com os EUA.

O jornal destaca que as agências de inteligência brasileiras priorizaram o combate à manipulação estrangeira nas redes. Um exemplo citado é uma onda de publicações dos EUA mencionando mercados de previsões e apostas, como o Polymarket, que apontam Flávio como favorito, diferindo das pesquisas eleitorais. O caso do Polymarket foi revelado no dia 21 de setembro.

O texto também menciona que, cerca de um mês atrás, o governo Trump rejeitou as acusações do Brasil de tentativa de interferência, mesmo após tentar enviar uma delegação americana para investigar a integridade eleitoral brasileira.

Autoridades brasileiras disseram ao NYT que a ajuda americana a Flávio poderia vir em forma de novas medidas para desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O jornal relata que Trump usou sanções e ameaças de tarifas no ano passado para tentar salvar Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que alegou falsamente fraude na última eleição. A tentativa falhou e ele foi condenado a 27 anos de prisão.

Com receio da repercussão e da pressão de Trump, o governo brasileiro iniciou uma grande campanha, com direito a mascote, para fortalecer a confiança entre eleitores, diplomatas e observadores internacionais. Segundo o NYT, uma vitória de Flávio reforçaria a tentativa de influência de Trump sobre a América Latina, ao lado de aliados de direita. O jornal lembra que candidatos alinhados a Washington venceram disputas na região com apoio explícito do presidente americano.

Por fim, a publicação aponta que, caso Flávio perca, há indícios de que ele poderá fazer acusações semelhantes de fraude eleitoral, como Trump fez no passado. Há expectativa de que o presidente americano apoie essa iniciativa. Para a reportagem, foram entrevistados mais de uma dezena de funcionários do governo e do setor eleitoral brasileiros, policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros.

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