
Parlamentar ergue a mão durante sessão no plenário. (Foto: Instagram)
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que está concorrendo ao governo de Minas Gerais, não mencionou o uso de aviões particulares para dezenas de voos nos últimos dois anos, além de viagens para várias cidades mineiras. Apenas uma das aeronaves realizou mais de 40 voos durante o período eleitoral. Em vídeos nas redes sociais, o senador frequentemente afirma que viaja apenas de carro.
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De acordo com a planilha de voo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à qual a coluna teve acesso, os voos realizados pelo avião Cirrus SR SST – matrícula PS-ECR, pertencente ao empresário Eliésio Carlos Rodrigues, um nome associado ao senador, indicam outra realidade. A aeronave fez dezenas de voos entre cidades mineiras, incluindo viagens a Brasília, desde o início da campanha eleitoral.
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Além do Cirrus, há registros de que Cleitinho utilizou outras aeronaves durante deslocamentos em cidades mineiras, pertencentes a empresários ligados a ele e ao seu candidato a vice. Uma pequena parte dos voos no avião do empresário Eliésio Rodrigues foi alvo de uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), questionando um possível abuso de poder econômico.
CAMPANHA TEVE INÍCIO CRUZANDO OS CÉUS DE MINAS
Desde o lançamento da campanha de Cleitinho em Medina, no Vale do Jequitinhonha, em 16 de agosto, os registros de voo coincidem com a agenda do senador, que teve compromissos em localidades distantes entre si.
Conforme os dados da mesma planilha de voo, o Cirrus partiu de Patos de Minas, onde mora Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito e candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho, rumo a Divinópolis, cidade natal do senador.
Na sua cidade, o senador participou do lançamento das campanhas de seus irmãos Eduardo Azevedo (PL), candidato à reeleição como deputado estadual, e Gleidson Azevedo (Republicanos), ex-prefeito de Divinópolis e candidato à Câmara dos Deputados.
No mesmo dia, segundo a Anac, a aeronave seguiu para Medina e, em seguida, para Belo Horizonte, onde Cleitinho participou de um debate promovido por uma emissora de TV na noite de domingo.
Em 22 de agosto, ainda segundo o relatório, o avião partiu de Divinópolis para Uberaba, no Triângulo Mineiro. No sábado, ele visitou Uberlândia e Araguari, cidades da região. Em vídeos postados nas redes sociais, o senador aparece dançando e conversando com as pessoas.
Ele também assistiu a uma partida de futebol em um estádio de Uberlândia. O programa de voo registra a aeronave em Uberaba e Uberlândia, as duas maiores cidades do Triângulo. No mesmo dia, o avião pousou em Patos de Minas, onde Cleitinho lançou regionalmente sua campanha no domingo, 23 de agosto, e retornou a Divinópolis no dia seguinte.
AVIÕES DE EMPRESÁRIOS FIZERAM MAIS DE 350 VIAGENS
Antes do período eleitoral, o senador Cleitinho Azevedo utilizou aeronaves de empresários para dezenas de voos a Brasília e diversas cidades mineiras. Conforme a planilha da Anac, o senador foi transportado pelo modelo Cessna 210L – prefixo PR-SBS, com pouso no aeródromo de Botelhos, em São Sebastião, próximo à Capital Federal. Em Divinópolis, a aeronave fica no Aeroporto Brigadeiro Antônio Cabral.
Entre abril de 2025 e setembro de 2026, o avião do empresário Roberto Altino Machado, de Governador Valadares, usou o Aeródromo de Botelhos 75 vezes, entre pousos e decolagens.
Entre março e julho deste ano, a aeronave fez 18 viagens entre Brasília/Divinópolis e Divinópolis/Brasília, uma média de 3,5 voos por mês. Roberto Altino Machado tem forte ligação com o deputado Euclydes Pettersen. Frequentemente, a aeronave também decolava de Governador Valadares, base eleitoral de Pettersen, presidente estadual do Republicanos em Minas Gerais e principal aliado de Cleitinho.
O QUE DIZ A CAMPANHA
A equipe de Cleitinho afirmou que os deslocamentos são feitos conforme a lei: “Nossa campanha não utiliza um real de dinheiro público. Optamos por uma campanha econômica, com doações declaradas à Justiça Eleitoral e todos os deslocamentos realizados rigorosamente dentro da lei.”
O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO
A Lei nº 13.488/2017 permite doações estimáveis referentes ao uso de bens móveis ou imóveis de propriedade do doador e à prestação de serviços próprios, até o limite de R$ 40 mil por doador.
Isso significa que o proprietário de uma aeronave pode, em certas condições, ceder seu uso à campanha sem receber pagamento. O valor econômico dessa cessão deve ser incluído na prestação de contas.







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