
Coronel da reserva Henguel Ricardo Pereira durante solenidade da SSP-SP (Foto: Instagram)
O atual número dois da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, coronel da reserva Henguel Ricardo Pereira, é mencionado em um acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que trata de acusações de tortura envolvendo membros do Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi).
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O documento judicial revela que detentos em cumprimento de pena eram temporariamente retirados do sistema prisional para atuar em operações do grupo, do qual o militar fazia parte.
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O caso remonta a 2002, mesmo ano da Operação Castelinho, ocorrida em março, que resultou na morte de 12 pessoas. Poucas semanas depois, conforme o acórdão, presos usados em operações policiais estariam envolvidos na preparação de um assalto no Guarujá, litoral paulista.
Em fevereiro deste ano, órgãos estaduais e federais se reuniram em São Paulo para discutir o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Brasil pelas mortes na Operação Castelinho. Henguel assumiu em 2026 o cargo de secretário-executivo da SSP, segundo na hierarquia, abaixo do delegado Osvaldo Nico Gonçalves.
O acórdão da Justiça, obtido pela coluna, mostra que Marcos Massari, Gilmar Leite Siqueira, Ronny Clay Chaves e Rubens Leôncio, todos cumprindo pena no Centro de Observação Criminológica (COC), eram enviados a bases do Gradi e podiam permanecer nelas por até 30 dias.
Ainda segundo o documento, “esses detentos se infiltravam em quadrilhas”, geralmente acompanhados de policiais militares à paisana. Em 27 de março de 2002, Ronny e Rubens foram enviados, com autorização judicial, para infiltrar-se em uma quadrilha que planejava roubar o Hotel Casagrande, no Guarujá.
No depoimento reproduzido pelo TJSP, Ronny afirmou que, “por determinação do [então] tenente Henguel”, foi encarregado de organizar o assalto, que teria grande repercussão na imprensa.
Ele mencionou ter procurado um ex-detento para acertar detalhes e que uma casa foi alugada no bairro da Enseada, no Guarujá, para planejar o roubo. O relato está no acórdão como depoimento de Ronny.
Ronny relacionou o plano ao “sucesso” da Operação Castelinho e afirmou que policiais do Gradi buscavam uma nova ação de grande repercussão midiática.
Na Operação Castelinho, em 5 de março de 2002, três presos ajudaram a convencer suspeitos de que um avião com R$ 28 milhões pousaria em Sorocaba, no interior do estado. A Corte Interamericana concluiu posteriormente que o suposto transporte de dinheiro era uma ficção criada para incitar o roubo. Os 12 homens atraídos para a operação foram mortos pela PM.
Henguel e os demais policiais processados no Brasil foram absolvidos.
Mais de duas décadas depois, a sentença internacional continua em fase de cumprimento. Em fevereiro, representantes de diferentes instituições discutiram em São Paulo medidas ainda pendentes.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) informou à coluna que entre elas está a estruturação de um grupo de trabalho para esclarecer a atuação do Gradi, além de providências sob responsabilidade do governo paulista.
A SSP afirmou que participa do cumprimento da sentença, fornece documentos solicitados e registrou “avanços” no uso gradativo da força, inteligência e articulação entre órgãos. Segundo a pasta, a criação e o funcionamento do grupo de trabalho cabem ao MDHC.







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