MPRJ investiga Douglas Ruas por suspeita de lavagem de dinheiro e crimes licitatórios

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Douglas Ruas durante sessão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciou uma investigação contra Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do Rio, por suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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A investigação está sob sigilo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e foi divulgada pelo jornal O Globo. A portaria de instauração do Procedimento Investigatório Criminal, datada de 15 de julho deste ano, foi acessada pela equipe de reportagem.

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A investigação teve início após uma denúncia que indicava conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas. De acordo com o documento, o MPRJ está investigando o crescimento patrimonial e financeiro acelerado de duas empresas ligadas ao deputado: a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda. e a DM Invest Consultoria e Participações Ltda. As investigações preliminares confirmaram o vínculo societário de Ruas com essas empresas. A Saur atua no setor de construção e locação, enquanto a DM Invest é uma empresa de administração e investimentos. O MPRJ destacou que o crescimento das empresas coincidiu com a ascensão política de Ruas e com o período em que seu pai, Capitão Nelson, liderava a Prefeitura de São Gonçalo.

A investigação revelou que a Saur adquiriu três imóveis entre 2023 e 2025. Dois deles estão localizados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e um em São Gonçalo, na Região Metropolitana. As três transações totalizam R$ 7,4 milhões. As movimentações de compra e venda da empresa, entre 31 de janeiro de 2023 e 27 de maio de 2025, somam R$ 12,23 milhões. Desse montante, R$ 9,8 milhões estão relacionados a negócios com a EBL Participações e Empreendimentos Ltda. O imóvel em São Gonçalo também está sob investigação por ter sido adquirido em parceria entre a Saur e a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa associada ao deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), presidente estadual do partido. Como Altineu possui foro privilegiado, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para determinar se há elementos que justifiquem a competência do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação também inclui uma auditoria do governo do Rio sobre contratos firmados durante a gestão de Douglas Ruas na Secretaria Estadual das Cidades, sob o governo do ex-governador Cláudio Castro. A auditoria identificou contratos que totalizam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um dos contratos, a FP Vieira subcontratou a Mineração Santa Edwiges, empresa da família de Altineu Côrtes. Em junho, o MPRJ solicitou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informações sobre possíveis pagamentos do governo do Rio à Saur e à DM Invest. No mês seguinte, a PGE informou que não encontrou repasses para as duas empresas. O caso permanece sob sigilo no TJRJ, sob a relatoria do desembargador Carlos Santos de Oliveira. A defesa de Douglas Ruas ainda não foi localizada para comentar. O espaço está aberto para manifestação.

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