Deepfakes de Famosos Levantam Preocupações Antes das Eleições de 2026

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Anitta, Caetano Veloso e Ana Castela são alvos de deepfakes com apoios políticos falsos (Foto: Instagram)

À medida que se aproximam as eleições de 2026, vídeos manipulados por inteligência artificial, que atribuem falsos apoios políticos a celebridades, estão se espalhando nas redes sociais. Um exemplo é um vídeo de Virginia Fonseca declarando apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Em outro, Caetano Veloso apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que o petista "salvou o país do ódio". Esses vídeos, embora pareçam reais, foram criados com tecnologia de IA, utilizando imagens e vozes de famosos sem a autorização deles.

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Além de Virginia e Caetano, outras celebridades como Anitta, Ana Castela e Neymar também foram alvo de deepfakes, tendo suas imagens ou vozes utilizadas para criar declarações falsas de apoio político. Esses casos evidenciam como a inteligência artificial pode ser usada para fabricar falas e associar figuras públicas a campanhas eleitorais sem o consentimento delas.

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Um vídeo recente que circulou nas redes sociais atribuiu a Virginia Fonseca uma declaração de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mas sua assessoria negou que ela tenha gravado ou publicado tal declaração.

Para o especialista em inteligência artificial Allison Lopes, é crucial verificar a origem do conteúdo. Ele sugere buscar a mesma declaração em fontes oficiais antes de acreditar ou compartilhar um vídeo, já que declarações impactantes de figuras públicas geralmente são divulgadas em grandes veículos de imprensa e perfis verificados.

Apenas analisar as imagens não é mais suficiente para identificar uma montagem. Lopes explica que os deepfakes iniciais apresentavam problemas como iluminação e encaixe do rosto, mas hoje a tecnologia é capaz de reproduzir esses detalhes com precisão, dificultando a detecção de fraudes.

Com a IA e seus modelos generativos, agora é possível criar cenas inteiras do zero ou reconstruir detalhes como iluminação e expressões faciais de maneira perfeita. A geração de voz sintética também avançou, clonando o tom, sotaque e até a emoção do falante com poucos segundos de amostra.

O acesso a essas ferramentas se ampliou, e agora estão disponíveis em aplicativos de celular, antes restritas a profissionais. A rápida disseminação desses conteúdos antes das eleições amplia o problema, pois deepfakes eleitorais exploram convicções pré-existentes dos eleitores, que aceitam vídeos falsos como verdade sem verificar.

A Justiça Eleitoral proíbe o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidatos. Vídeos, áudios e outros conteúdos manipulados por IA que pareçam reais e sejam usados como propaganda eleitoral são vetados. Mesmo quando o uso de IA é permitido, é necessário deixar claro que o conteúdo foi criado ou alterado com a tecnologia.

O advogado Getúlio Immich Da Silva explica que um aviso de que o material foi criado por IA não legitima um deepfake eleitoral. O problema central é a fabricação de uma manifestação falsa e verossímil com fins eleitorais.

As regras se tornam mais rigorosas perto das eleições. Desde 1º de outubro, 72 horas antes do primeiro turno, até 24 horas após o término da votação, é proibida a publicação de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que usem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou figuras públicas, mesmo que identificados como artificiais.

A Justiça Eleitoral pode ordenar a remoção de publicações e tomar medidas para conter cópias de conteúdos já indisponibilizados. No entanto, Getúlio destaca que a remoção não apaga o impacto de um vídeo que já atingiu um grande público.

"O limite é prático: a Justiça pode remover, interromper a circulação e responsabilizar os envolvidos, mas não há mecanismo que assegure que a impressão deixada por um vídeo que já alcançou milhões de pessoas desapareça por completo."

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