Viúva de Bruno Avelar relembra últimos momentos e fala sobre a perda

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Lívia Avelar e Bruno Avelar trocam olhares no dia do casamento, celebrando o amor antes da tragédia. (Foto: Instagram)

A dor de perder alguém de forma repentina muitas vezes deixa questões sem resposta. Para Lívia Avelar, viúva de Bruno Avelar, a despedida do marido aconteceu no momento em que ambos estavam iniciando uma nova etapa de suas vidas.

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Recém-casados, o casal tinha planos para os próximos meses, incluindo uma lua de mel na Itália, diversas viagens, projetos para a casa e sonhos para o futuro.

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O LUTO
Durante o luto, Lívia vem compartilhando nas redes sociais momentos da vida ao lado de Bruno e recebendo mensagens de pessoas que também foram tocadas pela história do empresário. Em uma conversa franca com a coluna Fábia Oliveira, ela relembrou a madrugada em que iniciou um jejum de oração por ele, o último abraço, o “eu te amo” trocado entre os dois e as horas de angústia após o desaparecimento da aeronave.

O ACIDENTE
Bruno Avelar faleceu após a queda de um helicóptero em Santa Catarina, no dia 21 de setembro. A aeronave, que decolou de Porto Belo com destino a São Joaquim, perdeu contato durante o voo. Os destroços foram encontrados no dia seguinte em uma área de mata na Serra Catarinense. Além de Bruno, estavam a bordo o cantor Rick, da dupla com Renner, o videomaker Paulo Ricardo dos Santos Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Não houve sobreviventes.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
Como e quando você recebeu a notícia de que o helicóptero havia desaparecido?

Eu comecei a perceber que algo estava errado quando não conseguíamos mais contato com ele. Liguei para nosso piloto preocupada e foi quando ele me disse que haviam perdido o sinal da aeronave. Eu estava almoçando e comecei a chorar. Foi um desespero imenso. Daquele momento em diante, foram horas indescritíveis. Enquanto não havia confirmação, mantive uma grande esperança de que ele estivesse bem, de que receberíamos uma ligação dizendo que todos tinham sido encontrados. Apeguei-me a essa esperança até o último instante.

Como foram os momentos entre o sumiço da aeronave e a confirmação da queda? Como você se sentiu? Orou? Ficou com a família?

Provavelmente foram algumas das horas mais difíceis da minha vida. É uma sensação de impotência enorme, pois você quer fazer algo, mas não há nada a fazer além de esperar. Eu orei muito, pedi a Deus incessantemente por um milagre. Minha fé foi meu alicerce naquele momento, pois humanamente era quase insuportável lidar com aquela espera. Quando veio a confirmação, foi como se o tempo tivesse parado. Acho que até hoje minha mente ainda tenta entender tudo o que aconteceu.

Você fez questão de compartilhar esse momento de luto com seus seguidores nas redes. Acha que isso tem ajudado a superar esse momento difícil?

Não sei se usaria a palavra “superar”, pois ainda é muito recente e não estou tentando superar o Bruno ou apagar essa história. Estou aprendendo, dia após dia, a conviver com uma ausência imensa. Compartilhar algumas coisas tem sido uma forma de honrar nossa história e também de receber o carinho de tantas pessoas. Recebo diariamente mensagens, orações, histórias de pessoas que foram impactadas por ele. Isso me emociona muito e, de certa forma, me faz perceber que Bruno continua presente através de tudo que construiu e deixou nas pessoas.

No dia do acidente, ele saiu cedo de casa. Naquele dia, vocês conversaram? Trocaram confidências? Ele estava tranquilo? Animado?

Naquela madrugada, algo aconteceu que hoje tem um significado muito profundo para mim. Às três da manhã, iniciei um jejum de oração pelo Bruno. Ajoelhei-me ao lado dele, comecei a orar e estendi minhas mãos sobre ele enquanto ele ainda estava ali comigo. Não consegui dormir mais. Levantamos às 05h30 para irmos juntos para Balneário Camboriú. Antes de sairmos de casa, lembro-me dele pegando o bonequinho que havia feito para o filho. São detalhes daquele último dia que ficaram muito vivos na minha memória. Fomos juntos para Balneário e, quando chegou o momento de nos separarmos, nos abraçamos, ele me deu um beijo e trocamos algumas palavras de amor. Dissemos “eu te amo” um para o outro. Eu segui para o hotel onde ficaria hospedada e ele permaneceu aguardando o momento de seguir viagem para São Joaquim. Ainda tivemos alguns contatos durante aquela manhã. Depois das 11 horas, porém, eu não consegui mais falar com ele. Hoje, quando volto àquela madrugada, penso muito no fato de ter acordado às três da manhã justamente para jejuar e orar pela vida dele. Eu não tinha como imaginar o que aconteceria poucas horas depois. Mas tenho comigo a lembrança de que, naquele nosso último dia, antes de qualquer coisa acontecer, eu pude estar ao lado do meu marido, colocar minhas mãos sobre ele, orar por sua vida, abraçá-lo, beijá-lo e dizer que o amava. Isso é algo que vou guardar para sempre.

Qual era o compromisso que o Bruno tinha com o Rick?

Bruno e Rick foram visitar uma incorporadora. Bruno estava olhando alguns projetos novos e tinha planos para o futuro relacionados a essa área. Ele era uma pessoa que estava sempre pensando à frente, criando, planejando e enxergando novas possibilidades. Naquele dia, especificamente, esse era o compromisso deles: conhecer essa incorporadora e conversar sobre alguns desses projetos que Bruno vinha idealizando para o futuro.

Como foi que você e Bruno se conheceram e como o amor entre vocês floresceu?

Quando começamos a viver esse amor, foi tudo muito intenso. Construímos muitos sonhos, fizemos planos e vivemos em pouco tempo coisas que talvez muitos casais levem anos para viver. Ele se tornou meu marido, meu companheiro e a pessoa com quem eu imaginava dividir o restante da minha vida. Hoje, olhando para trás, sou profundamente grata por ter vivido esse amor. Eu gostaria, obviamente, que tivéssemos tido muito mais tempo. Mas o tempo que tivemos foi muito especial para construir uma história que vai permanecer comigo para sempre.

Vocês também celebraram o casamento poucos dias antes de o Bruno partir. Isso torna a situação ainda mais difícil? Quais eram os planos depois do casamento?

Torna tudo ainda mais difícil porque nós estávamos vivendo justamente um momento de muitos sonhos e planos. Estávamos começando uma nova fase da nossa vida. Tínhamos acabado de celebrar o nosso casamento e estávamos prestes a viver outros sonhos juntos. Nossa lua de mel, que seria nesse último dia 02/10, viagens, projetos, planos para a nossa casa, para a nossa família e para o nosso futuro. Era uma vida inteira sendo planejada. Por isso, existe uma dor muito grande quando penso no que não teremos a oportunidade de viver. Ao mesmo tempo, existe uma gratidão enorme por aquilo que Deus nos permitiu viver. Hoje eu tento não permitir que a dor pelo futuro que perdemos apague a beleza da história que tivemos.

Qual era, na sua opinião, a melhor característica do Bruno, mas que poucas pessoas conheciam?

As pessoas conheciam muito o Bruno empresário, o homem das conexões, dos negócios, dos grandes projetos. Mas existia um Bruno que poucas pessoas tinham acesso. O Bruno era extremamente cuidadoso e protetor comigo, com os filhos, com as pessoas que ele amava. Mas, além disso, o Bruno tinha um coração muito generoso com pessoas que ele nem conhecia. Ele não tinha apego a nada. E isso me fez aprender muito com ele. Ah, são tantas memórias. Como eu queria ter aprendido mais com ele.

O Bruno era muito querido nas redes. Você ficou surpresa com a onda de carinho que você e ele mesmo receberam nesse momento?

Eu sabia que o Bruno era muito querido, mas acho que só agora estamos conseguindo compreender a dimensão do impacto que ele teve na vida das pessoas. Foram inúmeras mensagens, homenagens, histórias e demonstrações de carinho. Pessoas contando coisas que ele fez por elas e que muitas vezes eu nem sabia. Isso tem sido muito emocionante. No meio de uma dor tão grande, receber todo esse amor também é uma forma de consolo. Mostra que a vida dele deixou marcas que vão muito além das empresas ou dos projetos que construiu. Ele deixou marcas em muitas pessoas.

Existe alguma coisa que você não falou com o Bruno e gostaria de ter falado?

Quando alguém parte de uma maneira tão inesperada, a nossa cabeça inevitavelmente procura a última conversa, a última mensagem, o último abraço. E a gente pensa em tudo aquilo que ainda poderia ter dito e feito. Mas uma coisa me traz paz: o Bruno sabia que eu o amava. Eu demonstrei isso enquanto ele estava aqui. Eu cuidava dele em cada detalhe e ele de mim. Nós vivemos esse amor intensamente. É claro que, se eu soubesse que seria a última vez, teria abraçado por mais tempo, teria dito mais vezes o quanto ele era importante para mim e talvez tivesse pedido que ele ficasse só mais um pouco. Mas nós nunca sabemos quando uma despedida será a última. Isso mudou profundamente a maneira como eu enxergo a vida.

Se você pudesse enviar um recado ao Bruno, o que você diria a ele?

Eu diria: meu amor, obrigada. Obrigada por ter me escolhido para dividir os últimos dias da sua vida. Obrigada por tudo o que nós vivemos, pelos nossos sonhos, pelas nossas conversas, pelas nossas risadas, pelas cantorias, pelos momentos difíceis que atravessamos e, principalmente, pelo nosso amor. Eu queria muito que a nossa história tivesse sido mais longa. Tínhamos tantos planos ainda… Mas eu vou carregar você comigo por toda a minha vida. Vou honrar a nossa história, vou honrar aquilo que você construiu e vou cuidar com muito amor de tudo aquilo que era precioso para você. E, acima de tudo, vou continuar confiando em Deus, mesmo sem compreender os Seus caminhos agora. Eu te amo. E sempre vou te amar.

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