
Executivos do Banco BRB durante evento de divulgação (Foto: Instagram)
Quando foi revelado que aproximadamente 30% das cotas da Steelcorp, de Roberto Justus, estavam sob posse do Banco Master e foram repassadas ao BRB, Justus afirmou publicamente que desconhecia o fato de que o banqueiro era o investidor por trás de um fundo parceiro.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Contudo, mensagens recentemente divulgadas indicam que Justus não só tinha conhecimento, como também tentou persuadir Vorcaro a aceitar uma operação complexa para vender-lhe as ações por R$ 130 milhões, a prazo. Simultaneamente, o banqueiro negociava as mesmas ações com o BRB e conseguiu fechar com o Banco de Brasília um acordo mais vantajoso, recebendo R$ 350 milhões à vista, ou seja, 170% a mais.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Em julho de 2024, Vorcaro investiu R$ 130 milhões na Steelcorp, uma empresa de estruturas modulares para a construção civil. Isso foi feito através de uma cadeia de fundos da Reag: o Dynamic diretamente e o SH FIPM indiretamente. No entanto, na documentação enviada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apenas o Dynamic foi mencionado.
No meio de 2025, Justus começou a procurar Vorcaro insistentemente, conforme mostram mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pelo site Poder360. Ele buscava convencer o banqueiro a reconsiderar os termos do investimento. "Nunca na minha vida fiquei tão decepcionado com alguém. O que me custa me receber por uma horinha para resolvermos aquele assunto", escreveu Justus.
Justus continuou, afirmando que se a dívida permanecesse em seu balanço, ele teria que pedir uma recuperação judicial, o que faria Vorcaro perder todo o investimento. Vorcaro então perguntou sobre a proposta de Justus para a recompra. Justus explicou que assumiria o pagamento dos R$ 130 milhões em um prazo máximo de cinco anos, detalhando as garantias. Vorcaro pediu um fluxo de pagamento garantido para o fundo, e Justus respondeu: "Mas o cotista do fundo não é você?", reforçando seu conhecimento.
Em 4 de setembro, conforme as mensagens divulgadas pelo Poder360, Justus apresentou uma proposta para a "recompra" das ações de Vorcaro: pagamentos escalonados em quatro anos e os 50% restantes no quinto ano. Sem resposta, Justus melhorou a oferta naquela noite, propondo pagamento em quatro anos. Vorcaro aceitou, mas Justus voltou atrás e fez novas exigências, irritando o banqueiro.
Enquanto essas negociações ocorriam, o Master estava em dificuldades financeiras e precisava fornecer ao BRB ativos de qualidade em troca de carteiras problemáticas vendidas nos meses anteriores. Vorcaro já havia oferecido a participação na Steelcorp ao BRB por R$ 500 milhões.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal, já reveladas, mostram que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, montou sua oferta aceitando pagar R$ 250 milhões pelas cotas na Steelcorp. Em 2 de outubro, há exatamente um ano, o BRB formalizou a aquisição do fundo SH FIPM, onde estavam as cotas da empresa de Justus, por R$ 350 milhões, apesar de um parecer de risco destacar que o banco não tinha recebido comprovação de que o Master era beneficiário do fundo.
Documentos apresentados pela defesa do advogado Daniel Monteiro em um dos inquéritos no STF detalham que os documentos para a transação desejada por Justus chegaram a ser produzidos. Entretanto, o negócio foi desfeito porque as ações foram vendidas para o BRB.
A relação entre Vorcaro e Justus começou a ser desvendada em janeiro deste ano, quando foi publicado que o SH, o fundo da Reag que detinha 30% na Steelcorp, era controlado pelo Master. Justus, em resposta, afirmou que só descobriu que tinha o banco de Vorcaro como sócio após a deflagração da Operação Carbono Oculto.
Posteriormente, Justus foi às redes sociais para afirmar que não tinha como saber que Vorcaro estava por trás do fundo da Reag que viabilizou a Steelcorp. No vídeo, ele detalha que, após a Carbono Oculto, entrou com notificação judicial para saber quem eram os cotistas e o novo gestor do fundo. "Foi aí que nós descobrimos", afirmou. A Carbono Oculto ocorreu em 28 de agosto de 2025. Nessa data, Justus já insistia em ser recebido por Vorcaro.
A coluna tentou contato com Roberto Justus por meio de um contato particular no Whatsapp e pelos canais da Steelcorp, mas ele não respondeu. O espaço permanece aberto.







Leave a Reply