
Casal maduro ilustra como hábitos influenciam o envelhecimento biológico. (Foto: Instagram)
Já observou duas pessoas da mesma idade, mas que aparentam estar em diferentes estágios da vida? Enquanto uma mantém disposição e aparência mais jovem, a outra mostra sinais mais avançados de envelhecimento. Isso não se deve apenas ao tempo vivido, mas a como o organismo reage ao longo dos anos.
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De acordo com especialistas, a idade cronológica, medida em anos, não reflete sozinha o estado do corpo. O envelhecimento biológico depende de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo da vida.
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O endocrinologista Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que o envelhecimento varia de pessoa para pessoa. “A idade cronológica é apenas o número de anos vividos. O organismo acumula exposições genéticas, metabólicas, ambientais e comportamentais”, afirma.
Isso significa que duas pessoas da mesma idade podem apresentar diferenças significativas em aspectos como saúde cardiovascular, força muscular, metabolismo e cognição. A médica Priscilla Mussi, coordenadora de geriatria e do programa Cuidar+, do Hospital Santa Lúcia (HSL), reforça que o histórico de vida pesa nesse resultado. “As pessoas envelhecem de formas diferentes pela vida que tiveram. Há muitos fatores modificáveis que influenciam esse processo”, diz.
Embora a genética tenha papel importante no envelhecimento, ela não atua sozinha. Os hábitos mantidos ao longo das décadas têm peso maior na forma como o corpo envelhece. De acordo com Priscilla, os fatores genéticos respondem por cerca de 30% desse processo, enquanto o estilo de vida representa cerca de 70%.
Hohl reforça que escolhas do dia a dia têm efeito direto no resultado. “Atividade física, tabagismo, consumo de álcool, peso corporal e controle de doenças podem modificar significativamente o processo”, explica.
Alguns comportamentos estão associados a um envelhecimento mais rápido, como alimentação baseada em ultraprocessados e privação de sono. Esses fatores favorecem alterações no organismo, como inflamação, resistência à insulina, perda de massa muscular e doenças cardiovasculares. “O cigarro, o álcool em excesso e o estresse elevado fazem com que a gente envelheça de forma mais acelerada”, afirma Priscilla.
Apesar de não existir uma forma de interromper o envelhecimento, é possível chegar a idades mais avançadas com melhor condição física e funcional. Entre os principais fatores estão prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento de condições como hipertensão, diabetes e colesterol.
“A atividade física está associada a benefícios cardiovasculares, metabólicos, cognitivos e funcionais”, diz Hohl. Priscilla acrescenta que mudanças podem ser feitas em qualquer fase da vida. “Nunca é tarde para mudar hábitos. Mesmo depois dos 60 anos, é possível melhorar a forma como o corpo envelhece”, afirma.







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