Avanço do PL levanta questões sobre futuro de Motta e Alcolumbre no Congresso

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Deputado Hugo Motta e senador Davi Alcolumbre trocam cumprimentos nos corredores do Congresso Nacional. (Foto: Instagram)

O crescimento do PL nas eleições de 2026 trouxe um novo peso para as articulações das presidências da Câmara e do Senado a partir do próximo ano.

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O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) planejam disputar novos mandatos nas Casas em fevereiro de 2027, mas enfrentarão uma bancada bolsonarista maior do que quando foram eleitos em 2025.

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A situação de Motta foi tema de discussão nesta quarta-feira (7/10), durante um evento em que o Republicanos oficializou o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Questionado sobre a sucessão na Câmara, Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, reconheceu a resistência dentro da bancada do PL à recondução de Motta.

"Os Republicanos respeitam seus quadros, respeitam Hugo Motta. Eu disse isso no meu discurso, que apoiamos o candidato respeitando as peculiaridades locais. Citei nominalmente Paraíba e Pernambuco. Agora, estamos cientes, o presidente Hugo Motta sabe que há resistência do PL, mas isso será resolvido com diálogo", afirmou Pereira.

Motta chegou à presidência da Câmara em 2025, com uma aliança entre PT, PL e partidos do Centrão. Agora, o cenário mudou. O deputado declarou apoio à reeleição de Lula em agosto, participando de eventos ao lado de aliados do petista na Paraíba, e em setembro, usou um boné com o nome do presidente durante uma carreata em Patos.

O apoio causou reações no PL. Antes das eleições, políticos da legenda já afirmavam que a aproximação com Lula poderia dificultar a recondução de Motta.

Após as eleições, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, reiterou seu desejo de disputar a presidência da Câmara em fevereiro.

Marcos Pereira, no entanto, afirmou que o Republicanos continuará apoiando Motta, mesmo após aderir nacionalmente a Flávio.

"Eu, Marcos Pereira, como presidente nacional dos Republicanos, declaro que o partido estará com Hugo Motta incondicionalmente. Vamos buscar aliança com outros partidos para que ele continue por mais dois anos", disse Pereira à imprensa.

A ressalva de Pereira às "peculiaridades locais", mencionando especificamente a Paraíba, também permite que Motta mantenha uma posição diferente da adotada nacionalmente pelo Republicanos no segundo turno.

O presidente da Câmara não deve recuar do apoio a Lula no segundo turno, que ocorrerá em 25 de outubro.

O aumento da bancada do PL no Congresso explica por que seu apoio se tornou mais relevante nas negociações para 2027. O partido não tem força para eleger sozinho os presidentes das Casas, mas ganhou cadeiras em ambas.

Na Câmara, o PL começou a legislatura de 2023 com 99 deputados e elegeu 121 para a próxima. No Senado, começou com 12 senadores e deve iniciar 2027 com 28. São necessários 257 votos para eleger o presidente da Câmara e 41 para o Senado.

A expansão não elimina a dependência do PL em relação ao Centrão. Na Câmara, partidos desse campo elegeram 234 deputados. União Progressista terá 87 cadeiras e o Republicanos, 41, além das bancadas de PSD, MDB e Podemos.

A aproximação com Flávio representa uma mudança em relação ao primeiro turno. Republicanos, União Brasil e PP optaram pela neutralidade nacional, justificando a decisão pela preservação de alianças estaduais e liberdade aos diretórios.

Nos bastidores, o cálculo envolvia também o resultado presidencial e a capacidade de negociar com quem assumisse o Planalto em 2027.

Após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula, a estratégia mudou. União Brasil e PP, reunidos na União Progressista, oficializaram apoio ao candidato do PL na terça-feira (6/10). O Republicanos fez o mesmo na quarta.

Marcos Pereira disse que a adesão também pode abrir espaço para participação em um eventual governo.

"Quando você apoia, pode participar, é natural. Participamos do governo do presidente Bolsonaro, do Ministério da Cidadania, com João Roma. Se Flávio for eleito e nos convidar, temos excelentes quadros para contribuir", afirmou.

O PL deve iniciar a próxima legislatura do Senado com 28 dos 81 senadores, mais que o dobro dos 12 que tinha na abertura da atual legislatura. Será a maior bancada da Casa e a maior desde a Constituição de 1988.

Alcolumbre, cujo mandato termina em fevereiro de 2027, também pretende tentar a recondução. Antes das eleições, ele negociou apoio com a direita e o Centrão, mas a relação com o PL se deteriorou, devido à recusa do senador em avançar com pedidos de impeachment de ministros do STF.

A PEC do fim da escala 6×1 tornou-se outro ponto de disputa. Senadores da oposição aliados a Flávio querem adiar a votação, enquanto o governo Lula tenta aprovar um calendário especial antes do segundo turno.

Mesmo com 28 senadores, o PL não tem os 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa. Assim como na Câmara, terá de negociar com Republicanos, PP, União Brasil e outras siglas de centro e direita.

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