Mineiro que Vestiu Estrelas Mundiais é Homenageado em Exposição em BH

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Peça em penas e máscara de Markito em exposição no Mumo (Foto: Instagram)

Belo Horizonte — Estrelas como Liza Minnelli, Gal Costa, Ney Matogrosso e Xuxa usaram as criações de Markito, um estilista mineiro que se destacou nacional e internacionalmente nas décadas de 1970 e 1980. Nascido em Uberaba, Marcus Vinícius Resende Gonçalves liderou um ateliê com cerca de 150 colaboradores, produzindo até 300 vestidos por mês, muitos deles feitos à mão.

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A carreira brilhante de Markito foi interrompida por sua morte prematura durante a epidemia de HIV/Aids, em meio a muito preconceito. Agora, sua história volta a ser celebrada em uma exposição no Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo), que comemora seu décimo aniversário.

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“O objetivo é resgatar a memória de alguém cujas criações vestiram uma constelação de estrelas. Queremos destacar a moda mineira que foi exportada nas décadas de 1970 e 1980”, explica Isabela Guerra, diretora de museus da Fundação Municipal de Cultura.

A exposição também evidencia que a moda brasileira já tinha reconhecimento internacional há décadas. “Hoje se fala que o Brasil está na moda no exterior, mas isso já acontece há muito tempo. Ele conseguiu vestir grandes artistas em todo o mundo.”

Markito iniciou seus estudos em Engenharia, mas seguiu seu talento para a moda. De acordo com relatos da irmã, ele desenhava desde criança e contou com o apoio da mãe para seguir sua carreira.

A carreira de Markito ganhou força no Rio de Janeiro, um dos principais centros culturais do Brasil, e depois se expandiu para outros mercados, incluindo Nova York. Suas criações eram conhecidas pelo brilho e pela valorização do corpo feminino.

“Ele falava muito sobre a noite. Era uma época de boates, tanto no Brasil quanto no mundo, e também havia essa liberdade feminina de mostrar o corpo”, comenta Isabela.

Por trás do glamour, havia uma produção artesanal significativa. Markito não confeccionava as peças sozinho; o trabalho envolvia principalmente bordadeiras de Uberaba.

“A produção dele era feita por bordadeiras de Uberaba, destacando o trabalho manual feminino. Ele chegou a ter um ateliê com 150 pessoas e falava sobre a importância dessas bordadeiras”, diz Isabela Guerra.

No auge de sua carreira, o estilista produzia cerca de 300 vestidos por mês, mantendo a fabricação artesanal. “Não era uma produção industrial, mas manual, por isso ele tinha tantas pessoas produzindo e exportando essas peças.”

Havia um cuidado especial até na embalagem. Segundo relatos, Markito se interessava em saber como grandes grifes internacionais preparavam suas peças para exportação: “A irmã dele falava do cuidado que ele tinha até na hora de embalar essas peças para exportação, buscando entender como as grandes grifes faziam.”

Parte importante do legado de Markito foi preservada pela família. Após sua morte, a mãe reuniu e guardou peças e materiais que poderiam ter se perdido.

“A mãe dele foi essencial nesse momento de preconceito. Quando percebeu que o legado poderia se perder, ela recolheu e guardou o acervo com cuidado, permitindo que o tenhamos hoje”, contou Isabela Guerra.

A irmã do estilista continuou o trabalho de preservação, emprestando parte do acervo para a exposição no Mumo.

A exposição faz parte das comemorações dos dez anos do Museu da Moda. Público e gratuito, o espaço busca apresentar a moda não apenas como economia, mas como parte da identidade e do patrimônio cultural.

“É um museu de moda público, o que é superimportante para refletir sobre a função pública do patrimônio, preservação e difusão desse patrimônio”, afirma Isabela.

O Mumo está localizado em um prédio histórico no Centro de Belo Horizonte, que já abrigou outros museus e centros culturais, além de uma das bibliotecas públicas mais antigas da cidade, ainda aberta ao público.

SERVIÇO
Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo)
Terça-feira: 12h às 20h
Quarta-feira a sábado: 10h às 18h
Entrada gratuita

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