Vacina contra malária será testada em humanos em Belo Horizonte

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Pesquisador segura frascos da vacina Vivaxin contra a malária (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – O Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em BH, vai conduzir testes em humanos de uma vacina totalmente brasileira contra a malária. Este imunizante foi desenvolvido pelo CTVacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.

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Na quarta-feira (7/10), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização para o início dos testes em humanos.

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A vacina é destinada à forma de malária predominante no Brasil, o Plasmodium vivax, para a qual ainda não existe uma vacina disponível globalmente. Essa espécie é comum em regiões fora da África, especialmente nas Américas e na Ásia. As vacinas existentes, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são para a espécie P. falciparum: a RTS, S/AS01 e a R21/Matrix-M.

Segundo o pesquisador Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas e professor da UFMG, esta vacina pode ser crucial para erradicar a malária no Brasil e tem um grande potencial de mercado na Ásia.

"O Brasil está na fase de eliminação da malária, e essa vacina pode desempenhar um papel vital nessa erradicação no país, além de contribuir para a eliminação da doença na América Latina e conquistar mercado na Ásia", destacou o professor.

O Plano Nacional de Eliminação da Malária tem como objetivo interromper a transmissão local até 2035, e a vacina contra o P. vivax poderá integrar estratégias de controle do mosquito, diagnóstico e tratamento.

Duas petições do CTVacinas sobre a Vivaxin foram aprovadas pela Resolução-RE 3.956, de 6 de outubro de 2026: o dossiê de desenvolvimento clínico de medicamento e o processo de pesquisa clínica.

A decisão permite o início dos testes em humanos, onde novas evidências sobre a vacina serão reunidas. Conforme Helton Santiago, diretor científico do CTVacinas e professor da UFMG, os resultados da fase um irão direcionar as próximas etapas do desenvolvimento da vacina.

"No estudo de fase um, testaremos em pessoas sem infecção prévia de malária. Serão avaliadas três dosagens da vacina, com participantes divididos em grupos que receberão Vivaxin ou placebo. O esquema prevê três aplicações com intervalo de 28 dias", explicou Santiago.

Quando os testes começarem, serão necessários 48 voluntários de 18 a 59 anos, sem infecção prévia por malária.

A malária é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. Os sintomas incluem febre, calafrios e dor de cabeça. O P. vivax possui uma característica particular, onde formas do parasita podem permanecer no fígado e causar episódios da doença mesmo sem nova picada. A vacina precisa combater a infecção no sangue e as formas latentes para prevenir novos surtos.

Em Minas Gerais, os casos registrados são importados de áreas endêmicas como a região amazônica ou países africanos.

O Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, é o local designado para o estudo, com acompanhamento previsto de 360 dias, incluindo avaliações clínicas e monitoramento dos participantes.

A trajetória da Vivaxin inclui a descoberta do antígeno e testes de prova de conceito na USP, seguidos pelo codesenvolvimento com o CTVacinas no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC). A autorização simboliza o amadurecimento desse trabalho conjunto, permitindo que a pesquisa acadêmica avance para testes em humanos.

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