Celular de porteira condenada em 8/1 tinha vídeo gravado no Senado

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Nailze Aparecida Ribeiro Silva, porteira alvo de mandado de prisão (Foto: Instagram)

Investigadores da Polícia Federal (PF) descobriram um vídeo gravado dentro do plenário do Senado no celular de Nailze Aparecida Ribeiro Silva, porteira alvo de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O vídeo foi encontrado no dispositivo de Nailze durante uma perícia realizada pela PF em maio de 2024. Ela foi sentenciada a 14 anos de prisão em regime fechado.

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O celular continha pelo menos dois vídeos. Em um deles, a porteira estava dentro do plenário do Senado, perto de um assento reservado aos senadores, com a câmera apontada para a Mesa, onde havia manifestantes.

Em outro vídeo, ela estava próxima à rampa do Congresso Nacional, ao lado do espelho d’água, já do lado de fora. De acordo com a PF, os dois vídeos foram compartilhados em grupos de WhatsApp.

Embora as gravações tenham sido feitas durante os eventos, nenhum vídeo mostra vandalismo. As imagens apenas registram a presença da porteira nos dois locais.

Mesmo assim, as imagens foram cruciais para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ampliasse a denúncia. Inicialmente, a acusação estava restrita aos crimes de incitação e associação criminosa, pois não havia provas de que ela havia participado das invasões na Praça dos Três Poderes.

Com o relatório da PF, a PGR concluiu que sua conduta não se limitou à incitação no acampamento, mas incluiu participação nas invasões aos prédios públicos. Por isso, a denúncia foi ampliada para incluir os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O mandado expedido por Moraes foi encaminhado à PF, mas a ordem de prisão ainda não foi cumprida.

Atualmente, Nailze, que reside em São Bernardo do Campo, São Paulo, está em liberdade provisória com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A coluna não conseguiu entrar em contato com a defesa dela.

Em carta escrita à mão em dezembro de 2023, antes do relatório da PF e da ampliação da denúncia pela PGR, Nailze pediu ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que tivesse compaixão e aceitasse um acordo de não persecução penal. Ela afirmou que participou de uma manifestação pacífica.

“Assim que cheguei ao local dos fatos, tive medo da confusão e voltei para o Q.G. No dia seguinte, mandaram eu entrar no ônibus e nos levaram para a federal, onde fiquei 9 dias na Colmeia presa”, escreveu Nailze.

A porteira continuou: “Eu não cometi nenhum ato de vandalismo, senhor, não entrei em lugar nenhum, apenas fiquei no espelho d’água, mas logo fui embora. Senhor, eu preciso trabalhar, tenho uma mãe de 84 anos que não posso ver por causa da tornozeleira”.

Nailze foi condenada a 14 anos de prisão em um julgamento virtual realizado entre 15 e 22 de maio deste ano. A pena inclui 12 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, além de 100 dias-multa.

Por maioria, o tribunal a condenou por cinco crimes: associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O STF também fixou indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a ser paga solidariamente com os demais condenados pelos ataques.

Prevaleceu o voto de Moraes. Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram vencidos, e Luiz Fux divergiu parcialmente. Edson Fachin acompanhou o relator com ressalvas.

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