
Peregrino na Dutra exibe manto com Nossa Senhora e imagem de Neymar durante jornada a Aparecida (Foto: Instagram)
Às margens da Rodovia Presidente Dutra, milhares de peregrinos caminham anualmente, carregando suas histórias de fé e gratidão, às vésperas do feriado de 12 de Outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. Além dos fiéis católicos, há exemplos de convivência pacífica com seguidores de outras religiões.
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Nos últimos dias, católicos que passaram por Guarulhos, na Grande São Paulo, receberam apoio até mesmo de evangélicos em sua jornada à Basílica de Aparecida. Próximo ao Jardim Cumbica, uma tenda montada por membros da Igreja Batista oferecia comida, água, sombra e suporte aos peregrinos, que ainda precisavam percorrer 150 km.
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Mesmo não sendo devotos da santa católica, os membros da Igreja Batista estavam presentes para auxiliar os católicos em sua longa caminhada.
"É um trabalho de solidariedade, amor ao próximo, de igreja para igreja. Todo mundo aceitou, viemos aqui e está sendo um grande aprendizado para nós", afirmou o pastor Edirlei Amorim, de 58 anos, na última quinta-feira (8/10). "Acredito que será um trabalho de muitos anos, fortalecendo a fé de nossos irmãos."
O microempresário Walter Aparecido Aranha, de 66 anos, saiu da zona norte de São Paulo na mesma quinta-feira e, ao cruzar Guarulhos, recebeu apoio no Jardim Cumbica. "É maravilhoso. Deus é um só e eles estão ajudando o próximo. Só tenho a agradecer", disse ele.
"O evangelho prega a unidade e não a igualdade. Não preciso ser igual a esse irmão [católico] para andar com ele. A unidade vem de propósitos iguais e, como ele disse, existe apenas um Deus", comentou o pastor. Já o microempresário destacou que a fé deveria unir, sem divisões.
A LONGA CAMINHADA
Além dos exemplos de solidariedade que se multiplicam ao longo da Dutra, há também histórias de pessoas que se esforçam para estar perto da imagem da padroeira, em Aparecida.
O cabeleireiro José Carlos Godoi de Almeida, de 58 anos, partiu de Curitiba (PR) no domingo e estava cruzando a Grande São Paulo na última quinta. Ele já fez esse trajeto cinco vezes e, agora, chamava atenção por estar coberto por um manto com a imagem de Nossa Senhora e de Neymar entregando uma coroa ao seu neto, Matheus.
O neto, de 17 meses, teve problemas de saúde ao nascer, mas hoje é saudável, segundo Almeida. A caminhada até Aparecida é um agradecimento não só pela vida da criança. "Agradeço e peço que as pessoas que se aproximem de mim tenham o mesmo coração que o meu", afirmou. E o que dificulta a jornada? "O calor está de cozinhar o galo", comentou o cabeleireiro, em uma tarde de mais de 30°C sobre o asfalto.
Nem mesmo a idade é um obstáculo para quem deseja chegar à Basílica. A costureira Hilda Siqueira, de 78 anos, caminhava pela Dutra com um grupo de pessoas mais jovens, sem mostrar cansaço. "A fé move tudo, o amor que temos pela ‘mãezinha’ [Nossa Senhora] vale a pena", disse. "Só tenho a agradecer pelas coisas boas que ela faz por mim."
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), são esperados mais de 40 mil peregrinos rumo a Aparecida neste ano, quebrando o recorde de 2025. Para auxiliar na fiscalização, até drones são utilizados pelos agentes no monitoramento da Dutra.







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