
Ilustração mostra ministros do TSE como inquisidores diante do Palácio do Planalto (Foto: Instagram)
Os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do TSE e membros do STF, respectivamente, têm sido comparados aos inquisidores do Tribunal do Ofício Nada Santo da Igreja Bolsonarista. Assim como Tomás de Torquemada, que perseguia tudo o que não se alinhava com sua ortodoxia, eles têm tratado a campanha de Lula como uma heresia, aplicando uma forma indireta de censura à imprensa. Notícias objetivas e factuais são banidas quando reproduzidas pela campanha petista.
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Até o momento, há um silêncio cúmplice de muitos colunistas que se dizem defensores da liberdade de expressão, mas que não se pronunciam sobre essa censura indireta. Isso viola os artigos 5º e 220 da Constituição, que garantem a liberdade de expressão e de imprensa.
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Neste domingo, Kássio ordenou que o WhatsApp suspendesse o canal “Exército do Lula”, administrado por André Janones, após pedido de Flávio Bolsonaro. A decisão foi anulada posteriormente. O canal era acusado de disseminar informações que a Justiça Eleitoral considerou falsas, incluindo ligações de Flávio com o miliciano Adriano da Nóbrega. Flávio havia homenageado Adriano em 2005, propondo a Medalha Tiradentes e empregando familiares do miliciano em seu gabinete.
A suspensão do canal “Exército de Lula” deveria durar até a homologação do segundo turno. No entanto, o presidente do TSE decidiu agir antes do prazo dado pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia solicitado esclarecimentos dos bolsonaristas. Kássio, não respeitando o prazo, retirou uma plataforma com mais de três milhões de seguidores. Cueva, por sua vez, derrubou a censura e restaurou o canal.
Mendonça ordenou a remoção de dois vídeos da campanha de Lula no Instagram, alegando que o conteúdo não estava no programa de Flávio. Isso gerou polêmica, pois há relatos de que o candidato da extrema direita pretende cortar gastos entre R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões, mas não detalha como isso será feito.
A pergunta óbvia é se os ministros leram o programa de Lula para compará-lo com as propagandas do PL. Kássio também mandou retirar um vídeo com a frase “Se Flávio vence, você perde” e baniu propaganda que ligava Flávio a Daniel Vorcaro e ao caso Master.
Os apoiadores de Jair Bolsonaro acusaram Alexandre de Moraes de censura em 2022, mas suas decisões visavam desinformação sobre o sistema eleitoral, não notícias da imprensa. Olavo de Carvalho atribuía a Lênin a frase “Acuse-os do que você faz”, mas Lênin nunca disse isso. Agora, os bolsonaristas podem adotar essa máxima.
A letargia da imprensa diante da censura é impressionante. Ainda não se sabe quem vencerá as eleições, mas já se vislumbra um poder autoritário, com censura e manipulação estatal.
A divergência seria sufocada pela manipulação dos que dominam a máquina do Estado, com tudo pautado pela farsa convincente e temperado pela teologia da morte a serviço do poder.
Há, sem dúvida, os que defendem abertamente esse modelo. E, ainda assim, não conseguem ser tão abjetos como aqueles que, sem coragem de enfrentar a máquina bolsonarista, mas posando de seus críticos, preferem voltar o dedo acusador contra o próprio Lula: seria o responsável pelo eventual desastre. Eles próprios, os que se calaram ou foram coniventes com o golpismo, bem… são inocentes como as flores. Há dois tipos morais que estão sempre de braços dados com os algozes: os traidores e os covardes.
Já é um clichê, eu sei, mas obrigatório. Valem as palavras do pastor Niemöller sobre o nazismo:
Primeiro vieram buscar os comunistas.
E eu não me manifestei
Porque eu não era comunista.
Depois vieram buscar os socialistas.
E eu não me manifestei
Porque eu não era socialista.
Depois vieram buscar os sindicalistas.
E eu não me manifestei
Porque eu não era sindicalista.
Depois vieram buscar os judeus.
E eu não me manifestei
Porque eu não era judeu
Depois vieram me buscar.
E já não havia ninguém
Para se manifestar por mim
Tendo lutado na Primeira Guerra e sendo um nacionalista conservador, Niemöller chegou a simpatizar com o movimento nazista nos seus primórdios. Ao se dar conta do que estava em curso, passou a se opor ferrenhamente àquela bestialidade. Foi preso em 1937 e só saiu em 1945. Foi condenado a uma pena leve, mas Hitler não aceitou o veredito. Considerava-o seu prisioneiro pessoal. Tiranias não têm por que respeitar nem seu próprio aparato legal!
Que coisa! Um “nacionalista conservador” teve a coragem de fazer o que era certo. Hoje, alguns que até pagam de progressistas para agitar a “galera” dizem que política é suja, qualquer que seja o lado. Trata-se de uma “gente limpinha” que flertaria com campo de concentração em nome da sua “independência e isenção”.
Querem saber como seria a face jurídica de um eventual governo Flávio? A fusão de Kássio com Mendonça até dá uma pista. Mas estejam certos: pode ser muito pior.







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