
Lula e Flávio Bolsonaro intensificam mobilização no WhatsApp a duas semanas do segundo turno (Foto: Instagram)
A duas semanas do segundo turno, as campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram a mobilização digital para engajar eleitores e reduzir a abstenção. Uma das principais estratégias são os canais no WhatsApp, "Exército do Lula" e "Tropa do Flávio", criados por apoiadores dos candidatos à Presidência.
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Essas comunidades são usadas para disseminar conteúdos de campanha, incentivar o compartilhamento de publicações e orientar apoiadores a combater o que consideram notícias falsas. Apesar das semelhanças, cada canal adota estratégias distintas na internet.
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Coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o “Exército do Lula” contava com mais de 3 milhões de seguidores até a tarde de sábado (10/10). Entre as atividades propostas estão convidar novas pessoas para o canal, curtir e compartilhar vídeos de Lula e ampliar a campanha no Nordeste. Já na terça-feira (6/10), a comunicação do Partido Liberal (PL) organizou uma ação com influenciadores de direita para tentar desestabilizar o canal. Representantes do partido participaram de uma videoconferência para coordenar a ofensiva e, em seguida, denunciaram o conteúdo à plataforma.
A “Tropa do Flávio” foi criada na terça-feira e divulgada pelo senador na quinta-feira (8/10). Até a manhã de sábado, já reunia mais de 1 milhão de seguidores. A iniciativa também foi promovida nas redes oficiais do candidato e de aliados, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Além de compartilhar conteúdos de campanha, o canal mobiliza apoiadores em temas em alta nas redes, organiza reações a reportagens e orienta eleitores a contestar informações nas ruas que consideram falsas.
A legislação eleitoral permite que apoiadores se organizem em grupos e canais no WhatsApp para compartilhar opiniões e materiais de campanha. A existência dessas comunidades, por si só, não constitui infração. O que determina a legalidade é a forma como funcionam.
A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regula a propaganda eleitoral e o uso de aplicativos de mensagens para fins políticos não é proibido automaticamente, mas deve respeitar os limites da lei. Um dos pontos críticos é o disparo em massa. O envio de mensagens sem consentimento ou o uso de ferramentas que desrespeitem as regras da plataforma e do TSE pode configurar irregularidade.
Por isso, o número de seguidores não basta para indicar infração. É necessário verificar como os conteúdos chegam aos participantes e quais ferramentas são usadas para ampliar o alcance. No caso de Flávio e Lula, os eleitores precisam seguir os canais para receber informações no WhatsApp.
Outro aspecto é a relação dos canais com as campanhas oficiais. É preciso conferir quem administra as comunidades, se há pagamento envolvido e se a atuação é espontânea ou contratada. A legislação sugere que nem toda atividade organizada de apoiadores é ilegal. No entanto, a participação de profissionais remunerados deve estar dentro das normas eleitorais.
A publicação de informações falsas também pode ter consequências, dependendo do conteúdo, contexto e efeitos. A liberdade de expressão protege críticas e manifestações políticas, mas não autoriza qualquer tipo de propaganda. É preciso diferenciar opinião de conteúdo comprovadamente falso ou manipulado. A divulgação de desinformação pode motivar medidas da Justiça Eleitoral, principalmente quando há risco de afetar o equilíbrio da disputa.
Então, conforme as determinações do TSE, para determinar se o “Exército do Lula” ou a “Tropa do Flávio” violam as regras, é preciso analisar o funcionamento de cada canal, a origem dos recursos, a forma de distribuição das mensagens e o conteúdo publicado.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A diferença foi de 1,87 ponto percentual. Os dois disputam o segundo turno marcado para o dia 25 de outubro. Nesse cenário apertado, as redes sociais tornaram-se uma das principais frentes das campanhas para conquistar votos e levar mais eleitores às urnas.







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