Negligência diária é um tipo de maus-tratos a animais de estimação

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Cão descansando no sofá reforça a importância de cuidados diários para o bem-estar dos pets. (Foto: Instagram)

Quando se fala em maus-tratos aos animais de estimação, muitas pessoas pensam apenas em atos violentos, como agressões, mas existem atitudes cotidianas que também se encaixam nessa categoria. Uma dessas atitudes é a negligência nos cuidados com os pets. A veterinária Thays Rossignoli explica que a definição técnica inclui ações e omissões que causam dor ou desconforto aos animais. Esse problema abrange desde a falta de passeios e higiene até o isolamento prolongado e a ausência de assistência veterinária.

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O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) define maus-tratos como qualquer ato que, por ação ou omissão, cause dor ou sofrimento desnecessários aos animais, seja por negligência, imperícia ou imprudência. Deixar cães sem passeios e gatos sem estímulos adequados gera ansiedade e estresse. O excesso de colo, a falta de limites e o uso de roupas inadequadas podem causar ansiedade de separação e interferir no controle da temperatura corporal dos pets.

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A negligência nos cuidados diários também inclui problemas como obesidade, acúmulo de tártaro nos dentes e unhas muito longas, que podem causar dores articulares, infecções e encurtar a vida do animal. Amar um animal de estimação significa atender às suas necessidades biológicas e comportamentais, em vez de tratá-los como humanos.

Deixar os animais sem convívio ou rotina de passeios afeta sua saúde física e mental. Para cães, passeios diários são essenciais para exercitar, farejar e explorar o ambiente, enquanto gatos precisam de brinquedos e locais para se esconder para evitar estresse e doenças.

A ausência prolongada dos tutores em casa também pode passar despercebida, mas traz riscos físicos. "Água e comida resolvem apenas parte das necessidades", alerta Thays. Sem acompanhamento diário, acidentes domésticos, como vômitos ou problemas urinários, podem não ser identificados a tempo.

A tendência de humanizar os animais, atribuindo-lhes comportamentos humanos, pode prejudicar seu desenvolvimento. Manter o animal no colo o tempo todo, impedir o contato com o chão e não impor limites dificultam que o pet aprenda a ficar bem sozinho, favorecendo a ansiedade de separação.

O uso excessivo de roupas e acessórios inadequados também causa desconforto. A veterinária alerta que roupas em excesso interferem no controle da temperatura, podendo provocar desidratação e choque térmico. Além disso, tratar o animal como "humano" pode distorcer a percepção do tutor, que enxerga um "bebê feliz" onde pode haver um animal estressado e com dor.

Problemas cotidianos como obesidade, acúmulo de tártaro nos dentes e unhas grandes são considerados negligência. O excesso de peso reduz a expectativa de vida e está associado ao consumo exagerado de petiscos. Já a falta de escovação dental causa infecções e dor ao mastigar, enquanto unhas muito compridas alteram a forma de pisar e provocam dores articulares.

A mudança desses hábitos exige rotinas previsíveis e o atendimento das necessidades biológicas de cada espécie. "Amar um animal é conhecer a espécie e cuidar do que ele precisa, não do que nós gostaríamos que ele precisasse", conclui a professora do Centro Universitário Braz Cubas.

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