Pegadas de grande mamífero do Cretáceo inferior são descobertas em SC

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Ilustração de um mammaliaforme do Cretáceo Inferior atravessando dunas (Foto: Instagram)

Duas trilhas de pegadas fossilizadas encontradas em Turvo, Santa Catarina, revelam a presença de mamíferos e seus parentes próximos com porte maior do que os registros anteriores da Formação Botucatu indicavam. Estas são as maiores pegadas do tipo já documentadas no Cretáceo Inferior de Gondwana, o antigo supercontinente que incluía a América do Sul.

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O estudo, publicado no Journal of South American Earth Sciences, analisou os rastros preservados em duas placas de arenito coletadas na pedreira AR Mineração. Na época em que os animais passaram por ali, a região fazia parte do deserto de Botucatu, uma vasta área de dunas da era dos dinossauros.

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As pegadas têm quatro dedos, com impressões curtas e arredondadas. O formato e a disposição das trilhas sugerem que o animal se movia usando quatro patas. Após comparação com outros rastros conhecidos, os cientistas atribuíram as pegadas a um provável membro dos Mammaliaformes, grupo que inclui mamíferos e parentes evolutivos próximos.

As marcas foram classificadas na icnofamília Chelichnopodidae, que reúne pegadas com características semelhantes, sem identificar a espécie responsável. O tamanho das impressões excede o de todas as pegadas atribuídas a mamíferos descritas anteriormente na Formação Botucatu, ampliando a diversidade de tamanhos conhecidos para esses animais no início do Cretáceo.

Os primeiros mamíferos são frequentemente associados a animais pequenos. No entanto, as novas trilhas reforçam que a história do grupo também incluiu formas de porte relativamente grande durante a era dos dinossauros. Segundo os autores, os achados sugerem que tamanhos corporais maiores surgiram mais cedo e com mais frequência do que se reconhecia anteriormente. A pesquisa, no entanto, não identifica o maior mamífero de toda a era dos dinossauros.

Como restos de esqueletos são raros na Formação Botucatu, as pegadas ajudam a reconstruir a vida no antigo deserto. Além de indicar a presença de animais maiores, os rastros preservam informações sobre como esses habitantes se movimentavam pelas dunas.

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