
Alan Tons e Larissa Rodrigues de Paula, vítimas de duplo homicídio em Ceilândia (Foto: Instagram)
Um motorista de aplicativo que transportou Tancredo Pereira da Silva, de 41 anos, até a casa de Alan Tons, 34, e Larissa Rodrigues de Paula, 24, em Ceilândia, revelou em um áudio enviado a um amigo que o suspeito lhe perguntou o que faria se alguém "mexesse" com sua esposa. Após a pergunta, Tancredo teria mostrado a arma que usaria para cometer o crime. "Eu boto fé que ele matou mesmo", afirmou o motorista.
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No áudio, o motorista descreve parte da conversa. Inicialmente, Tancredo entrou no carro e permaneceu em silêncio por alguns minutos antes de perguntar o que o motorista faria se alguém flertasse com sua parceira. "Ele disse que tinham dado em cima da esposa dele, então perguntei se ela tinha contado, e ele respondeu que viu pelas câmeras e que iria matar o cara", relatou.
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O motorista também afirmou que o suspeito mostrou a arma e dois carregadores de munição. No final do áudio, é possível ouvir pelo menos 12 tiros. O motorista conclui sua mensagem dizendo que "foi tiro pra caralho. Acho que matou mesmo".
Tancredo foi preso em flagrante nesta quarta-feira (14/10) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), sendo um dos principais suspeitos do duplo homicídio, junto com João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, ex-morador do mesmo lote onde viviam Alan e Larissa. Ambos negaram envolvimento no crime.
A principal linha de investigação da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) é que os suspeitos acreditavam que Alan estaria interessado nas esposas deles. Segundo o delegado Ataliba Neto, tanto João Victor quanto Tancredo suspeitavam que Alan tivesse interesse nas suas respectivas companheiras. A esposa de Tancredo foi ouvida pela polícia e negou que Alan tivesse dado em cima dela, mas mencionou que seu companheiro desconfiava que Alan a observava quando bebia.
Uma câmera de segurança capturou o som dos tiros que resultaram na morte de Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, e Arlandson de Sousa Alves, de 34, conhecido como Alan Tons, na madrugada de domingo (11/10), em Ceilândia (DF). O casal foi executado por volta das 2h50 da manhã. Inicialmente, é possível ouvir pelo menos 10 disparos, seguidos por outros 15 tiros cerca de 25 segundos depois.
O primeiro suspeito preso foi João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, vizinho do casal, que morava com a esposa no mesmo lote. Ele foi repreendido por Larissa e Alan após agredir sua companheira. João Victor já havia sido preso duas vezes por agressões, mas foi liberado. Na última detenção, prometeu vingança contra Larissa e Alan. Ele se entregou na 15ª DP e negou participação no crime.
O segundo suspeito preso foi Tancredo Pereira da Silva, de 41 anos. A polícia investiga sua participação no crime, pois ele teria ido à casa de Alan e Larissa em um carro de aplicativo e questionou o motorista sobre o que faria se fosse traído. "Ele perguntou ao motorista do Uber o que faria se soubesse que um cara estava dando em cima da mulher dele. […] Disse que tinha descoberto que um amigo estava dando em cima da esposa e que estava levando um presente para esse amigo", relatou o delegado.
Larissa também é considerada pela Polícia Civil como possível vítima de queima de arquivo. Ela jantava com Alan quando a casa foi invadida por um homem armado. Como estava ao lado do marido no momento do ataque, a principal linha de investigação é que ela foi morta para evitar que testemunhasse contra os envolvidos no homicídio do cantor.
Outro ponto investigado é a possível participação de João Victor na entrada de Tancredo na casa das vítimas. A polícia suspeita que João Victor tenha dado a Tancredo a chave da casa onde Alan e Larissa moravam. João Victor já havia morado no mesmo lote de kitnets que o casal, mas não residia mais no local. Os investigadores apuram se ele manteve uma cópia da chave após deixar o imóvel e se a entregou a Tancredo, facilitando o acesso à residência.
A suspeita de envolvimento de João Victor no duplo homicídio também é reforçada pelas contradições identificadas pela Polícia Civil em seu depoimento. Segundo o delegado Ataliba Neto, João Victor afirmou que estava em uma distribuidora de bebidas na noite do crime, mas informações coletadas na região indicam que ele não esteve no local.
"A gente quer apurar de fato o que aconteceu. Se ele realmente estava lá dentro, se ele só instigou, induziu, auxiliou no planejamento, entregou a chave do imóvel para facilitar a entrada do executor do crime", disse o delegado João Ataliba.
Além disso, imagens mostram o suspeito com um celular, embora ele tenha afirmado que não possuía aparelho. A polícia também identificou contradições no depoimento da esposa dele. Para o delegado, os elementos reunidos durante a investigação reforçam a suspeita de envolvimento de João Victor nos assassinatos.







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