Oscilações de Temperatura Elevam Risco de Doenças Urológicas

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Mulher no banheiro com expressão de desconforto abdominal, reflexo de alterações urinárias provocadas por variações extremas de temperatura. (Foto: Instagram)

Desde junho, os efeitos do El Niño têm impactado o mundo, alterando a temperatura global e os padrões de chuva. No Brasil, por exemplo, o fenômeno aumenta os riscos de inundações na Região Sul e eleva as chances de seca e calor extremo no Norte. Contudo, os impactos climáticos vão além do ambiente e afetam também a saúde humana.

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Quando o assunto é o sistema urinário, variações extremas de temperatura podem trazer complicações e aumentar o risco de doenças urológicas.

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Especialistas explicam que, independentemente do clima, o corpo humano se adapta constantemente para manter sua regulação interna estável, e o sistema urinário pode sentir essas mudanças.

“No calor, perdemos muita água pelo suor. Se essa água não for reposta rapidamente, a urina fica concentrada, escura e ácida. Isso irrita a parede da bexiga e cria um ambiente propício para o surgimento de pedras nos rins e infecções”, alerta o urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília Águas Claras.

Em situações de frio ou choque térmico, os vasos sanguíneos tendem a se contrair para evitar a perda de calor do corpo. Como resultado, o fluxo sanguíneo nos rins aumenta, elevando a produção de urina. “A musculatura da pélvis também tende a se contrair. Para quem já tem bexiga hiperativa ou aumento da próstata, essa combinação pode causar uma vontade súbita e incontrolável de ir ao banheiro ou até o travamento da urina”, explica Ferro.

Apesar dos efeitos, é importante lembrar que as temperaturas extremas não são uma causa direta e universal de problemas urológicos. “Na verdade, as temperaturas extremas são fatores ambientais que podem modificar a fisiologia urinária, precipitar sintomas e aumentar certos riscos clínicos em indivíduos predispostos”, afirma o urologista Osei Akuamoa Júnior, do Hospital Santa Lúcia Norte.

GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS A SENTIREM EFEITOS UROLÓGICOS COM MUDANÇAS BRUSCAS DE TEMPERATURA

  • Idosos: a sensação de sede diminui naturalmente com o avanço da idade.
  • Indivíduos com a próstata aumentada: costumam sentir mais desconforto ao urinar em dias frios.
  • Mulheres: possuem uma anatomia que favorece o surgimento de infecções urinárias.
  • Crianças: desidratam-se rapidamente no calor e costumam adiar a ida ao banheiro durante as brincadeiras.
  • Trabalhadores expostos a temperaturas elevadas: apresentam maior perda de água e episódios frequentes de urina concentrada.
  • Pacientes com diabetes, doença renal crônica e doenças neurológicas: essas enfermidades podem comprometer o funcionamento adequado do sistema urinário.

CALOR EXTREMO PODE FAVORECER PEDRAS NOS RINS E INFECÇÕES URINÁRIAS
Além do clima, períodos de calor extremo e seca podem desidratar o corpo. A redução da quantidade de água no organismo favorece o surgimento de duas doenças urológicas comuns: infecções urinárias e cálculos renais – popularmente conhecidos como pedras nos rins.

“A água funciona como uma espécie de faxina diária no canal urinário. Com pouca água circulando, o volume de xixi diminui e ele fica cheio de sais minerais, como cálcio e oxalato. Sem diluição, esses cristais se juntam até formar as pedras”, exemplifica Ferro.

A desidratação, acompanhada da pouca ingestão de água, também representa menos idas ao banheiro. Como a urina ajuda a eliminar bactérias que tentam subir pelo canal urinário, a demora em eliminar o líquido dá aos microrganismos mais tempo para permanecer na bexiga e provocar infecções.

“Do ponto de vista urológico, uma das associações mais bem estabelecidas é entre temperaturas elevadas, redução do volume urinário e aumento do risco de eventos relacionados a pedras nos rins. O acompanhamento urológico preventivo deve considerar não apenas os fatores individuais de risco, mas também as condições ambientais às quais o paciente está exposto”, ressalta Júnior.

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