CGU descobre 2,7 mil vínculos entre parlamentares e ONGs beneficiadas por emendas

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CGU mapeia 2,7 mil vínculos entre parlamentares e entidades do terceiro setor (Foto: Instagram)

Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou a existência de conexões entre parlamentares e organizações do terceiro setor que foram beneficiadas por emendas. Este levantamento de transferências voluntárias foi conduzido em cumprimento a uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Na análise dos convênios firmados pela União com entidades sem fins lucrativos, a CGU identificou 2,7 mil vínculos entre parlamentares e essas entidades. Este número considera até quatro camadas de vínculos intermediários, estabelecendo a ligação entre os dois agentes de interesse.

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A auditoria examinou convênios relacionados a mais de 15 mil emendas parlamentares dos anos de 2020 a 2025. A CGU não detalha cada caso, mas sugere que análises individuais podem ser realizadas para verificar possíveis influências inadequadas na alocação de emendas.

Os vínculos detectados podem incluir laços familiares, de emprego, societários e outras informações cadastrais presentes em bases de dados governamentais usadas pela CGU. O relatório destaca que a mera existência de vínculos não implica em irregularidades.

A CGU também encontrou vínculos entre assessores e as entidades que receberam emendas. Dos 13 mil assessores parlamentares analisados, mais de 5 mil tinham algum tipo de conexão com pelo menos uma das entidades que receberam recursos.

Nos últimos meses, casos de emendas destinadas a ONGs relacionadas a parlamentares e seus assessores foram expostos. Um exemplo é o da deputada Célia Xakriabá (PSol-MG), que direcionou emenda para uma associação liderada pela madrasta de seu chefe de gabinete.

Em abril, foi revelado que o deputado licenciado Alex Santana (Republicanos-BA) destinou R$ 1,9 milhão em emendas a uma associação ligada a seu cunhado e a uma ex-assessora. Já o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) encaminhou emendas a duas ONGs presididas por parentes de seus assessores.

A CGU analisou dados sobre a execução dos recursos recebidos por essas entidades sem fins lucrativos. O relatório aponta que em 2025, 80% das empresas contratadas com esses recursos não tinham funcionários registrados no e-Social.

Em outras 4,1 mil empresas que receberam recursos de emendas, o número de funcionários registrados era de até 50 pessoas. O relatório sugere que isso indica uma tendência de alocação de recursos em empresas sem atuação consolidada no mercado.

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