Família de brasileiro morto na Turquia arrecada fundos para trazer corpo de volta

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Lucas Nascimento de Medeiros em momento de lazer na Turquia antes de sua detenção. (Foto: Instagram)

São Paulo — A família de Lucas Nascimento de Medeiros, brasileiro de 33 anos que faleceu após ser detido em um centro de detenção migratória na Turquia, iniciou uma campanha de arrecadação para trazer o corpo dele de volta ao Brasil. A causa da morte ainda não foi esclarecida.

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O programador e empresário foi declarado morto pelo consulado brasileiro em Istambul na segunda-feira passada (12/10). Na quarta-feira (14/10), sua irmã viajou ao país para identificar o corpo.

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A meta é arrecadar R$ 236 mil para cobrir despesas como traslado, contratação de advogados, autópsia independente, velório e enterro. "As circunstâncias de sua morte ainda não estão esclarecidas, e a família busca respostas sobre o que realmente aconteceu", diz o texto no site de doações.

Autoridades turcas estão relutantes em liberar os pertences pessoais de Lucas e sugerem que ele seja enterrado na Turquia, segundo informações divulgadas.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, informou que está ciente do caso e em contato com a família, oferecendo a assistência consular necessária.

BRASILEIRO MORRE APÓS SER DETIDO NA TURQUIA
Lucas estava de férias na Turquia quando o Consulado Brasileiro em Istambul anunciou sua morte. Sete dias antes, ele foi detido e levado a um centro de detenção migratória no país.

Na madrugada entre 5 e 6 de outubro, o brasileiro contou à mãe, residente em São Paulo, que havia se envolvido em uma discussão com locais devido a questões religiosas.

Sendo judeu, Lucas tinha uma grande tatuagem da bandeira de Israel com o Leão da Tribo de Judá e costumava usar um colar com a Estrela de Davi, conforme relatou seu irmão, Marcos Medeiros.

Segundo Marcos, essas características podem ter causado algum desentendimento com religiosos locais, majoritariamente muçulmanos. Ainda assim, ele ficou surpreso ao saber da situação enfrentada por Lucas.

“Meu irmão sempre foi uma pessoa progressista, nunca preconceituosa, xenofóbica ou extremista religioso. Ele sempre foi tranquilo”, afirmou.

Durante a briga, o empresário teve o rosto cortado. Ele buscou as autoridades turcas e acabou retido no Centro de Remoção de Harmandalı, em Esmirna, para deportação.

Na mesma madrugada, Lucas enviou à mãe a localização do centro de detenção. Ele também ligou para combinar que chegaria a São Paulo na segunda-feira (12/10), para visitar as sobrinhas recém-nascidas antes de retornar à Europa, onde morava há cerca de sete anos.

No entanto, em 8 de outubro, Lucas parou de responder às tentativas de contato da família. No sábado (10/10), as mensagens enviadas a ele deixaram de ser recebidas.

Apesar da falta de comunicação, a mãe de Lucas foi ao Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, às 5h da manhã, para esperar o filho.

Às 14h do mesmo dia, a ex-companheira do empresário, que havia contatado o Consulado do Brasil em Istambul por e-mail, recebeu uma ligação informando que um corpo foi encontrado em um hotel com drogas ilícitas e o passaporte de Lucas. Ele foi dado como morto.

LOCAL DA MORTE
A família ficou chocada com a versão das autoridades turcas. “Como é que a pessoa está no centro de imigração e é encontrada no hotel?”, questionou Marcos.

A mãe e o irmão do empresário procuraram a Polícia Federal, que afirmou não ter competência para o caso, encaminhando-os à Polícia Civil de São Paulo. Um boletim de ocorrência foi registrado no 7º Distrito Policial, onde a família contatou novamente o Consulado Brasileiro na Turquia por telefone.

Durante a ligação, a representante consular foi confrontada com as coordenadas de GPS enviadas por Lucas da cela. Com as informações da família, a narrativa do hotel se enfraqueceu. Segundo Marcos, pouco depois, as autoridades turcas recuaram e admitiram que o incidente ocorreu dentro da unidade migratória.

“Eles mudaram de versão porque foram confrontados com a localização. Ficaram surpresos ao saber que meu irmão havia sido mais esperto e enviado a localização para nós”, disse Marcos.

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