
Abelhas, babuínos e búfalos: eleições na natureza (Foto: Instagram)
O mês de outubro é marcado pelas eleições nacionais no Brasil, mas esse processo não é exclusivo dos humanos. Ele se repete na natureza, e a JETSS destaca três exemplos de "votações" que ocorrem entre os animais.
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Especialistas explicam que, em algumas espécies, as decisões são tomadas coletivamente. Em vez de um único líder decidir por todos, a maioria determina os próximos passos do grupo.
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“Em certos casos, há uma liderança mais clara, especialmente quando alguns indivíduos têm mais experiência ou influência social. Em outros, a liderança é distribuída: vários membros podem iniciar uma ação, e o grupo segue a direção que ganha mais adesão”, explica o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, em São Paulo.
Entre as principais decisões coletivas dos animais estão a direção de migrações, escolha de novos locais de moradia e definição de rotas diárias. Para decidir, os animais combinam informações do ambiente e do meio social. Ao buscar um novo lar, consideram a oferta de alimento, água, temperatura, abrigo, condições do solo e risco de predação.
Rafael Moreira destaca que esse processo permite que o grupo utilize informações distribuídas entre vários indivíduos, mesmo que nenhum tenha uma visão completa do ambiente.
Os animais obtêm essas informações através de seus sentidos, como visão, audição, olfato e tato, que ajudam a identificar oportunidades e riscos.
TRÊS ANIMAIS QUE “VOTAM” NA NATUREZA
Nas abelhas-europeias (Apis mellifera), quando a colônia precisa de uma nova casa, abelhas exploradoras buscam opções e, ao retornar, apresentam as alternativas através da dança do requebrado, que transmite informações sobre a localização e qualidade do local.
O veterinário Gerson Norberto explica que as abelhas podem visitar as alternativas e divulgar a que acham mais adequada. A decisão final ocorre quando um número suficiente de "votantes" escolhe um local, levando o enxame a se mover.
Para os búfalos-africanos (Syncerus caffer), estudos anteriores sugeriam que fêmeas adultas indicavam a direção ao grupo por meio da orientação corporal. Pesquisas mais recentes indicam que o consenso é alcançado pela influência mútua e alinhamento progressivo.
Nos babuínos-anúbis (Papio anubis), se vários animais se movem na mesma direção, os outros tendem a segui-los. Se houver uma preferência clara, o grupo segue, mas se houver discordância, podem escolher um caminho intermediário ou dividir-se.
Esses resultados sugerem que a decisão pode surgir da interação entre vários indivíduos, e não apenas de uma ordem do animal dominante, afirma Norberto.







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