
Policial militar Yasmin Cursino Ferreira é acusada pela morte de Thawanna da Silva Salmázio em Cidade Tiradentes. (Foto: Instagram)
São Paulo — A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público estadual (MPSP) e tornou ré a soldado da Polícia Militar (PM) Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, pela morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31, durante uma abordagem em abril deste ano, em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista. Yasmin responderá por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
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Para a Promotoria, não houve situação que justificasse o uso da força letal. Os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer também destacaram que Thawanna estava desarmada e que o disparo foi desproporcional. Após ser atingida, a ajudante-geral esperou cerca de 30 minutos pelo socorro e faleceu em decorrência dos ferimentos. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi uma hemorragia interna aguda.
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Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), a demora no atendimento médico contribuiu para caracterizar o meio cruel, pois a vítima permaneceu consciente e em sofrimento após o disparo, sem que a soldado prestasse auxílio para amenizar os efeitos do ferimento.
O incidente ocorreu em 3 de abril, quando Thawanna e seu marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela Rua Edimundo Audran, e uma viatura passou e esbarrou no braço de Luciano. A briga que se seguiu e os eventos que culminaram no disparo foram gravados pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, que acompanhava Yasmin Cursino durante o patrulhamento. Yasmin não estava usando bodycam naquele momento.
Em um trecho audível, a ajudante-geral diz: “Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Uma voz feminina, atribuída à soldado, responde, e a discussão rapidamente escala para gritos. “Vai agredir? Vai agredir?”, questiona Luciano. Segundos depois, um disparo é ouvido.
Yasmin alega que foi agredida pela ajudante-geral, mas essa versão é contestada pelo marido e pelo advogado da família de Thawanna.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) argumenta que o crime foi motivado por uma discussão banal, e que a vítima agonizou por mais de 30 minutos sem receber socorro adequado, caracterizando o meio cruel. O MPSP procurou a defesa de Yasmin Cursino Ferreira para um posicionamento e aguarda resposta. O espaço será atualizado caso haja manifestação.
Imagens da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, que estava com Yasmin Cursino Ferreira no momento da abordagem, mostram que Thawanna e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela rua Edimundo Audran, em Cidades Tiradentes, em 3 de abril de 2026, quando a viatura passa e o retrovisor esbarra no braço de Luciano. Yasmin não usava bodycam.
O soldado, que dirigia o carro, dá a ré e se dirige ao casal: “A rua é lugar para vocês estarem andando, c*?”. Luciano responde: “Ô, Steve”, usando uma gíria utilizada por policiais para se referirem aos colegas de farda.
“Steve é o c*”, rebate Weden. A ajudante-geral, então, intervém: “Não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós”.
Pouco depois, Yasmin, que estava no banco do passageiro, sai do veículo. Ela e a vítima começam a discutir. Em outro momento, é possível ouvir o barulho do disparo. Na sequência, Thawanna aparece caída no chão.
A vítima chegou a ser socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. Ela aguardou cerca de 30 minutos pelo resgate.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a ajudante-geral morreu de hemorragia interna aguda.
Yasmin Cursino foi afastada das atividades depois da morte de Thawanna Salmázio. Ela se tornou alvo de um inquérito policial militar e de uma investigação conduzida pela Polícia Civil. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também afirmou que investigaria o episódio.







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