
Influenciadora trans Malévola Alves é detida no Egito (Foto: Instagram)
A prisão da influenciadora trans brasileira Malévola Alves no Egito trouxe à tona as dificuldades enfrentadas por pessoas trans no país. A legislação egípcia não proporciona um caminho claro para o reconhecimento legal da identidade de gênero, e autoridades utilizam leis de moralidade pública para perseguir pessoas LGBTQIA+.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Malévola foi detida na terça-feira (20/10), em Alexandria, junto com uma amiga. O Ministério do Interior do Egito confirmou a prisão das duas após a divulgação de vídeos gravados nas ruas da cidade. As autoridades alegam que elas realizaram gestos e insinuações sexuais e assediaram transeuntes.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
O caso ocorre em um contexto onde pessoas trans enfrentam dificuldades para alterar o gênero em documentos oficiais e podem ser abordadas pela polícia devido à sua identidade ou expressão de gênero.
Até 2024, uma brecha na legislação permitia que pessoas trans alterassem o gênero em documentos oficiais, desde que realizassem cirurgia de redesignação sexual. Contudo, uma nova diretriz restringiu esse reconhecimento a pessoas intersexo, consideradas doentes no Egito.
Leis de moralidade são frequentemente usadas contra pessoas LGBTQIA+. Embora a homossexualidade não seja explicitamente criminalizada, autoridades aplicam leis contra "devassidão" para punir a comunidade LGBTQIA+. Após a intervenção militar de 2013, que levou Abdel Fattah el-Sisi ao poder, a repressão se intensificou.
Em 2016, o The New York Times relatou que pelo menos 250 pessoas LGBTQIA+ foram presas nos primeiros três anos do regime, com penas de dois a 12 anos de prisão por "devassidão habitual".
Em 2014, a modelo gaúcha Jhenifer Dalbosco também foi detida no Egito sob suspeita de prostituição, prática proibida no país. Ela foi liberada após duas semanas, mediante pagamento de fiança.
Nas redes sociais, a influenciadora Bruna Tivo, amiga de Malévola, acusou os egípcios de armação. "Jogaram vídeos nossos em um grupo do Facebook no Egito. O problema é ser trans. Estavam tentando armar para nós. Fomos filmadas em todos os lugares", afirmou.
Bruna retornou para Paris antes da detenção de Malévola, mas relatou que a amiga está sem celular e presa em uma delegacia. Ela criticou as publicações dos jornais locais, alegando que eles distorceram a verdade ao retratá-las como assediadoras.







Leave a Reply