Stacy Márquez, uma jovem norte-americana de ascendência mexicana, sofreu queimaduras graves no rosto e no corpo ao tentar resgatar sua melhor amiga de um acidente de carro no México. O episódio aconteceu em 20 de fevereiro de 2010, quando as duas tinham 15 anos e passeavam de caminhonete nas proximidades de Anáhuac, no estado de Chihuahua. A amiga morreu no acidente, enquanto Stacy sobreviveu após receber ajuda de duas pessoas e passar meses em tratamento médico.
A história foi relatada pela própria jovem em um vídeo publicado no TikTok e repercutida pelo portal mexicano Telediario. Stacy contou que havia completado 15 anos apenas cinco dias antes do acidente e que conhecia a amiga desde a infância. As duas eram vizinhas e decidiram sair da cidade para passear.
Durante o trajeto, a adolescente que dirigia a caminhonete não percebeu a aproximação de uma curva fechada. Ao tentar frear, perdeu o controle do veículo, que capotou. Stacy foi arremessada pela janela, enquanto sua amiga permaneceu dentro do automóvel. “Tudo aconteceu em 20 de fevereiro de 2010. Lembro dessa data com muita dor, não apenas porque sofri queimaduras, mas porque perdi minha amiga de infância. Éramos vizinhas desde que me entendo por gente, morávamos em Anáhuac, Chihuahua, e naquele dia decidimos sair da cidade”, contou.
“Tínhamos 15 anos, eu havia completado 15 anos cinco dias antes. No caminho para onde íamos, há uma curva muito fechada, e minha amiga não se lembrou dessa curva. Quando a viu de repente, freou, e isso fez a caminhonete capotar. Quando ela capotou, fui arremessada pela janela, e a caminhonete bateu nos postes de luz. Os postes caíram sobre a caminhonete, e isso fez com que ela ficasse eletrificada”, explicou.
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Mesmo depois de ser lançada para fora do veículo, Stacy tentou ajudar a amiga que havia ficado presa. Ao tocar na caminhonete, porém, sofreu uma descarga elétrica provocada pelos postes que tinham caído sobre o automóvel.
A adolescente perdeu os dedos atingidos pela eletricidade e, em seguida, foi alcançada por uma explosão. Seu corpo pegou fogo, causando queimaduras que deixaram sequelas permanentes. “Quando fui tentar tirar minha amiga da caminhonete, toquei no veículo e, como estava eletrificado, meus dedos sofreram uma descarga elétrica. Foi por isso que os perdi. Quando toquei na caminhonete, ela explodiu e me arremessou. Lembro que estava correndo em chamas e, então, chegaram duas pessoas para apagar o fogo em mim”, relatou.
Stacy contou que, apesar da gravidade dos ferimentos, não se lembra de ter sentido dor imediatamente após a explosão. Segundo ela, um médico explicou posteriormente que a reação poderia estar relacionada à resposta do organismo diante de uma situação de sofrimento extremo. “Lembro de olhar para baixo e me ver queimada, mas não me lembro de sentir dor. O médico me explicou que, quando você está passando por muita dor, sua mente bloqueia e você deixa de sentir”, afirmou.
As duas pessoas que chegaram ao local conseguiram apagar as chamas e socorreram a adolescente. Ela foi levada a um hospital, onde recebeu os primeiros atendimentos. “Graças a Deus, essas pessoas chegaram e salvaram minha vida. Elas me levaram ao hospital… Foi apenas minha pele que queimou, por dentro não aconteceu nada comigo”, contou.
A amiga de Stacy, entretanto, não resistiu. Segundo o relato, ela morreu no momento da colisão. A jovem acredita que também poderia ter perdido a vida caso tivesse permanecido dentro da caminhonete durante o acidente. “Infelizmente, não pudemos fazer mais nada pela minha amiga. Disseram-me que ela morreu na batida, então, se eu não tivesse sido arremessada pela janela, também teria morrido”, declarou.
Depois do resgate, Stacy permaneceu internada em Chihuahua. Ela contou que guarda poucas lembranças desse período, mas recorda especialmente o sofrimento da mãe, que acompanhava seu estado de saúde. “No hospital de Chihuahua, tenho pouquíssimas lembranças. A mais dolorosa é ouvir minha mãe, pedir perdão a ela por fazê-la sofrer. Eu a ouvia chorando. No hospital, já me lembro de sentir muita dor”, disse.
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De acordo com a jovem, os médicos chegaram a informar à família que ela poderia não sobreviver à primeira noite. Também foi considerada a possibilidade de amputação de um dos braços.
Sua mãe, porém, buscou outra alternativa de tratamento, e Stacy foi transferida para Sacramento, na Califórnia, Estados Unidos, onde recebeu atendimento especializado no Hospital Shriners. “Minha mãe nunca perdeu as esperanças. Os médicos em Chihuahua diziam a ela que eu não passaria daquela noite. Queriam amputar meu braço, mas ela dizia para não fazerem nada comigo. Então me levaram para Sacramento, na Califórnia, e lá salvaram minha vida”, relatou.
No hospital norte-americano, Stacy passou 18 dias na unidade de terapia intensiva e permaneceu aproximadamente três meses em recuperação. As queimaduras deixaram marcas permanentes em seu rosto e em outras partes do corpo.
Além do tratamento físico, a jovem relatou as dificuldades que enfrentou ao voltar a se olhar no espelho e lidar com as reações de outras pessoas à sua aparência. “Eu me olhei e não conseguia acreditar que aquela era eu. Foi muito doloroso ver minha pele, ver meu cabelo tão curtinho. Foi muito impactante… Outra das coisas difíceis foi a reação das pessoas, quando as crianças me diziam coisas. Foi muito difícil”, contou.
Ao compartilhar a experiência nas redes sociais, Stacy relembrou o acidente, a perda da amiga e os meses de internação que enfrentou aos 15 anos. Seu relato também mostrou as consequências das queimaduras e as dificuldades de adaptação após receber alta hospitalar.















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