PM prende jovens com camiseta de Lula; mãe alega que situação foi forjada

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Operação policial em Piracicaba leva três jovens a delegacia com camisas em apoio a Lula (Foto: Instagram)

São Paulo — Equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do 10º Batalhão de Ações Especiais (Baep) de Piracicaba realizaram uma operação contra o tráfico de drogas na comunidade Vitória Pantanal, na quarta-feira (21/10). Três jovens foram conduzidos à delegacia, incluindo um adolescente.

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Os jovens usavam camisetas de apoio ao presidente Lula (PT), que busca a reeleição. Entretanto, a mãe de um dos suspeitos afirma que a apreensão com a camiseta teria sido montada pelos policiais.

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Conforme a polícia, uma denúncia anônima indicou que três homens, vestindo camisetas brancas alusivas a Lula, estavam vendendo drogas em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva. Um deles, segundo a denúncia, estaria armado.

Os dois adultos, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, e o menor, de 17 anos, foi apreendido. A polícia relatou ter encontrado 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340.

Imagens da operação policial foram compartilhadas pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP) no Instagram. Ele usou o caso para defender a redução da maioridade penal, afirmando que “crime não pode ser relativizado” e pedindo leis mais rigorosas.

MÃE DIZ QUE FILHO NÃO USAVA CAMISETA DE LULA NO MOMENTO DA ABORDAGEM
Edna Souza Barbosa, de 33 anos, declarou que seu filho, de 17 anos, não vestia a camiseta do presidente Lula durante a abordagem policial.

“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não com blusa de Lula. […] Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, afirmou ela.

A mãe também relatou que os policiais agrediram seu filho e outra filha, de 14 anos, que tentou se aproximar do irmão. “Não estou falando que o meu filho estava certo. Não, jamais. Ele estava errado. Usando droga, fazendo o que não era para ser feito. Porém, não precisava eles reagirem da forma que reagiram. […] E colocaram a camisa para ter ibope, para ter engajamento. Não sei qual foi a intenção deles”.

As camisetas usadas pelos jovens em referência a Lula eram do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

Na manhã de quarta-feira (21/10), o sindicato participou de um ato de apoio ao presidente, organizado pelo movimento estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba. O protesto contou com a presença de alunos, funcionários, professores e pesquisadores.

MULHERES COM CAMISETAS DE LULA DENUNCIAM VIOLÊNCIA POLICIAL NA MESMA COMUNIDADE
No mesmo dia, na mesma comunidade, duas mulheres que vestiam a camiseta da Apeoesp em apoio ao presidente Lula relataram terem sido intimidadas por policiais militares e obrigadas a retirar a peça. Elas afirmam que estavam a caminho do trabalho quando ouviram um aviso sobre a chegada da polícia.

As mulheres foram abordadas por um PM, que pediu seus documentos. “Aí ele falou: ‘Deixa eu ver essa blusa sua aí, que já me interessou, é partido vagabundo?’”, contou uma das mulheres, que preferiu não se identificar. “Ele foi e perguntou: ‘Tem mais blusa dessa?’. Aí eu falei: ‘Só tem uma, por quê?’. ‘Nós vamos precisar de umas três’”.

A presidente da Apeoesp, deputada estadual Professora Bebel (PT), afirmou que levará o caso à Ouvidoria da Polícia Militar para exigir investigação e responsabilização dos PMs envolvidos. “Nós vamos investigar isso até o último momento. Barato não vai ficar, isso eu garanto. Então é algo que nós vamos acompanhar, nós vamos fazer perícia, nós vamos buscar todos os meios para que isso seja investigado”, prometeu a parlamentar.

O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR
Em relação à intimidação das duas mulheres mencionadas, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou, em nota, que não tolera desvios de conduta e pune rigorosamente casos comprovados. “Até o momento, não houve registros dos fatos relatados na Comunidade Vitória Pantanal nesta quarta (21). Vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados”, afirmou.

Já sobre a operação na mesma comunidade, a SSP informou que “foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente e um revólver e mais 137 porções da droga com os adultos. No total, foram apreendidas 160 porções de cocaína e R$ 340. O caso foi registrado como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional no 2º Distrito Policial de Piracicaba. Os adultos permaneceram à disposição da Justiça e o adolescente ficou apreendido”.

A pasta não respondeu sobre as alegações de que a apreensão com a camiseta de Lula teria sido forjada. O espaço está aberto.

PT ACIONA PGE SOBRE O CASO
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou, na noite de quarta-feira (21/10), a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para investigar o que chamou de “manipulação política” e “abuso de autoridade” da Polícia Militar de São Paulo e do senador Guilherme Derrite (PP). A sigla alega que o objetivo da suposta fraude seria criar um vídeo falso para inflamar as redes sociais e prejudicar a campanha do PT às vésperas do segundo turno.

O partido também solicita a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar uma possível fraude eleitoral, por meio de produção de fake news, e os abusos que teriam sido cometidos contra o adolescente.

“Para esclarecer o escândalo, a denúncia exige que as autoridades ouçam a mãe das vítimas, os policiais militares que forjaram a gravação e o senador Guilherme Derrite, que terá que explicar de quem recebeu o material fraudulento e se tinha conhecimento da armação quando decidiu publicá-lo na internet”, afirma o PT.

JETSS entrou em contato com a assessoria de Derrite para um posicionamento e aguarda resposta. O espaço será atualizado assim que houver manifestação.

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