
Ao revisitar a eleição de 1989, o artigo traça paralelos com a disputa atual entre Lula e Flávio Bolsonaro e alerta para os riscos à democracia. (Foto: Instagram)
Reservei para hoje o título de um artigo que publiquei no extinto Jornal do Brasil no sábado, 11 de novembro de 1989: “Cheiro de Lula no ar”. Quatro dias depois, seria definido o primeiro turno.
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Era praticamente certo que Fernando Collor de Mello, ex-governador de Alagoas, favorito da direita e líder nas pesquisas de intenção de voto, estaria entre os finalistas da eleição. Mas quem seria o outro: Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro, ou Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical e um dos fundadores do recém-criado PT?
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Lula venceu Brizola por uma diferença muito apertada: 0,63% dos votos válidos (11.622.673 contra 11.168.228). No segundo turno, Brizola apoiou Lula, que acabou derrotado por Collor. Acusado de corrupção, o primeiro presidente da República eleito pelo voto popular após 21 anos de ditadura foi derrubado pelo Congresso em 30 de dezembro de 1992.
Lula ainda perderia as duas eleições seguintes para Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998), antes de vencer em 2002 e 2006, além de eleger e reeleger Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
A esta altura, ainda é cedo para dizer se sinto no ar cheiro de Lula ou mau cheiro de Flávio Bolsonaro. A eleição será decidida pelos 33,4 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno. Mas digo que não parece difícil escolher entre Lula e Flávio, cujo principal objetivo nesta disputa, admitido pelo próprio, é dar continuidade ao projeto do pai.
Que projeto foi esse? Enfraquecer a democracia e, se necessário, acabar com ela para permanecer no poder; alinhar-se sem condições aos interesses dos Estados Unidos; e enriquecer — enriquecer muito. Foi por isso que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e está preso. E é por isso que, segundo Flávio, o primeiro ato de um eventual governo dele será libertar Jair.
Não acreditem na ideia de que, caso eleito, Flávio agirá como um presidente moderado. Isso não será possível. Primeiro, porque ele nunca foi um político moderado. Segundo, porque integra o plano mundial de ascensão da extrema-direita.
Se você não concorda com isso, saia da cama, levante da cadeira, encare o sol e a chuva e bora votar.
Tags: Bolsonaro, Briga política, crise política, democracia, Flávio Bolsonaro







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