
Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou à PF que alertou sobre riscos na compra do Banco Master pelo BRB. (Foto: Instagram)
O ex-integrante do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, disse à Polícia Federal (PF) que alertou sobre riscos na compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), em junho de 2025.
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Em manifestação enviada à PF e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa afirma que Paulo Sérgio encaminhou, em 8 de junho daquele ano, uma análise ao então diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, com possíveis efeitos financeiros e tributários da operação.
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O documento apontava que o cancelamento das operações de venda de carteiras de crédito do Master ao BRB não causaria prejuízo patrimonial, caso a compra do banco fosse autorizada.
A análise, porém, calculava que o BRB precisaria de 12 a 18 meses para recompor totalmente a carteira de crédito, considerando que o Master tinha capacidade para conceder R$ 350 milhões mensais em novos empréstimos consignados.
A defesa afirmou que se tratava de uma conclusão contábil preliminar e condicionada, apresentada ao Diretor de Fiscalização. Segundo os advogados, ela não deve ser entendida como declaração de que não houve fraude nem como dispensa da apuração e das medidas cabíveis.
Os advogados contestam o depoimento do presidente do BC, Gabriel Galípolo, prestado em 7 de outubro. Na ocasião, ele disse que Paulo Sérgio adotava uma posição mais favorável à aquisição do Master pelo BRB.
A defesa também afirma que Paulo Sérgio chegou a defender a liquidação do Master em março de 2025, diante do agravamento da crise financeira da instituição.
Segundo os advogados, naquela ocasião Paulo Sérgio era favorável à liquidação do conglomerado, conforme a minuta elaborada em março de 2025. A defesa acrescentou que o chefe do Derad já havia alertado, em janeiro de 2025, que o conglomerado não deveria ser entregue ao liquidante sem caixa. Mesmo assim, não houve deliberação da Diretoria Colegiada.
O documento também indicava que o cancelamento integral das operações não teria impacto patrimonial para os bancos, desde que a aquisição do Master pelo BRB fosse autorizada.
Apesar dessa conclusão, a análise trazia ressalvas, incluindo possíveis consequências tributárias e efeitos sobre a viabilidade financeira da transação.
PEDIDO DE ANULAÇÃO
A defesa do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e de seu irmão, o agricultor Luis Roberto Neves de Souza, pediu a anulação de “entrevistas” feitas pela PF durante as investigações do Caso Master.
Segundo informações divulgadas por Tácio Lorran, os irmãos movimentaram R$ 7,7 milhões em cinco anos com a compra ou venda de nove terrenos urbanos, dois lotes onde teriam construído prédios residenciais e um sítio.
A defesa relata que os dois foram abordados em 21 de julho de 2026 por agentes do Grupo Especial de Investigações Sensíveis em Juruaia e Guaxupé, no interior de Minas Gerais.
Luis Roberto foi questionado no Sítio Mirante sobre a gestão da propriedade e os contratos da empresa Noah Empreendimentos. Paulo Sérgio foi ouvido em sua residência sobre a negociação do imóvel.
De acordo com os advogados, as perguntas também envolveram a administração e a venda do sítio, os direitos de manejo e colheita do café, os empreendimentos previstos para o local e a relação entre Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro. A PF também perguntou a Luis Roberto sobre sua contratação como gerente administrativo da Noah Empreendimentos e Participações Ltda.
Tags: Banco Central, Banco Master







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