
Apuração relata que um grupo secreto de WhatsApp chamado “Tribunal” seria usado para punir e expor profissionais do mercado de acompanhantes de alto padrão. (Foto: Instagram)
No topo da pirâmide do mercado de acompanhantes de altíssimo padrão no Brasil, a estabilidade de uma carreira milionária não depende da beleza nem da discrição dos clientes. Ela está sujeita à clemência do “Tribunal”.
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Em um grupo secreto de WhatsApp, três garotas de programa que também atuam como cafetinas — uma baseada em Curitiba (PR) e duas em Belo Horizonte (MG) — exercem controle absoluto sobre centenas de modelos. Elas impõem linchamentos virtuais, punições financeiras e o banimento definitivo de quem desafia a engrenagem do esquema.
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A apuração revelou que, enquanto uma rede de canais como o Casting Elite World funciona como vitrine para programas de até R$ 10 mil voltados à elite financeira do país e do exterior, o grupo chamado “Tribunal” atua como braço punitivo e mecanismo de tortura psicológica do império clandestino.
O “Tribunal” reproduz a estrutura de um juizado paralelo, mas sem direito de defesa ou rito processual. As três gestoras da rede tomam as decisões de forma individual e imediata.
JULGAMENTO
Para que uma garota de programa seja encaminhada sumariamente ao julgamento da câmara secreta, não é preciso cometer uma infração grave: bastam capturas de conversas privadas vazadas, desentendimentos corriqueiros por disputa de clientes ou denúncias feitas pelos 15 a 30 agenciadores parceiros do trio.
Depois que as gestoras aceitam a “denúncia”, o grupo vira uma arena de linchamento virtual. O perfil da modelo ou do agenciador em desgraça é exposto aos mais de 600 integrantes da comunidade.
Fotos pessoais, áudios íntimos e capturas de tela são divulgados com o propósito explícito de prejudicar a reputação do alvo e servir de exemplo para os demais integrantes.
AS PUNIÇÕES
As sanções aplicadas pelo trio seguem um padrão financeiro rigorosamente definido, que contribui para a lucratividade da pirâmide:
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Punições financeiras: em casos de desobediência considerada leve ou de questionamento à conduta das administradoras, a penalidade imediata é retirar a profissional dos grupos de oferta de vagas. Para recuperar o acesso ao circuito de atendimento VIP, ela precisa pagar novamente a taxa de “pedágio”, de R$ 300.
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O retrato do esquema: a apuração indicou que a submissão ao “Tribunal” acontece principalmente quando há críticas à cobrança recorrente da taxa de acesso ou denúncias de calotes cometidos por agências parceiras. Nessas situações, a denúncia feita pela modelo é usada contra ela para proteger os contratos comerciais do trio.
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Uso instrumental da Black List: a articulação mais severa acontece entre o “Tribunal” e o grupo Black List Nacional/Internacional. Criado no mercado para proteger contra clientes abusivos, o cadastro foi convertido pelo trio em instrumento de coerção.
“Ter o nome incluído na lista negra com rótulos como ‘problemática’ ou ‘não confiável’ significa o fim absoluto da carreira no alto padrão. Os contatos e imagens são enviados imediatamente a agências do Brasil, da Europa e de Dubai”, contou uma modelo, sob condição de anonimato.
VALORES ESTORSIVOS
A reabilitação no sistema e a retirada do nome do cadastro restritivo internacional só são concedidas após o pagamento de quantias extorsivas adicionais ou a aceitação de condições de trabalho impostas unilateralmente pelas gestoras.
Como detalhado em reportagem principal, o ecossistema mantido pelas três investigadas funciona à margem de qualquer fiscalização legal e movimenta quantias expressivas sob a fachada de grupos restritos de mensagens.
A atuação do “Tribunal” consolida o domínio do trio ao impedir que qualquer modelo trabalhe de forma independente no mercado VIP sem pagar o pedágio estipulado ou se submeter à disciplina ostensiva das administradoras.
Tags: prostituição, São Paulo, sexo







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