Empresários defendem demissão de “petistas” após vitória de Lula em MG

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Empresários de Minas Gerais publicaram mensagens defendendo demissões e boicotes motivados por posições políticas. (Foto: Instagram)

Belo Horizonte — Depois que políticos e influenciadores defenderam demitir trabalhadores de esquerda, recusar a contratação de profissionais e boicotar estabelecimentos comerciais ligados a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), empresários de Minas Gerais também começaram a publicar nas redes sociais mensagens que incentivam essas práticas.

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A demissão de funcionários por causa de seu posicionamento político pode ser considerada discriminação e trazer consequências judiciais para os empregadores.

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Entre os empresários que se manifestaram está Thiago Corrêa Bastos, ligado ao estúdio de produção musical Comemorarte BH. Em publicação nos stories do Instagram, nessa terça-feira (27/10), ele defendeu a demissão de apoiadores do PT. “Demita os petistas da sua vida e dos seus negócios”, escreveu.

Em seguida, o empresário compartilhou vídeos em que criticava o resultado das eleições presidenciais e a situação política do país. Em uma das gravações, questionou o caso de Flávio Bolsonaro (PL), que foi para os Estados Unidos.

“Até quando vocês acham normal um morador brasileiro ter que se proteger saindo do Brasil? Isso é normal, gente? Sinceramente, será que é? Eu não. Eu acho que os valores estão muito invertidos, numa boa”, afirmou.

Procurado, o empresário reiterou sua posição e defendeu o direito de escolher funcionários de acordo com os valores da empresa. “Tenho direito de escolha ao selecionar um trabalhador para agregar à minha empresa. Tenho direito de escolher quem tem os valores mais próximos aos da minha empresa”, afirmou.

“Assim como em qualquer empresa hoje, quando alguém vai trabalhar, se depara com os ideais e valores da empresa. Então, cada um escolhe o candidato que mais se assemelha aos ideais”, acrescentou.

Questionado sobre a legislação trabalhista, o empresário declarou: “Não sou obrigado por lei a trabalhar com funcionários que não agregam valores à minha empresa”.

DE DEMISSÃO A CANCELAMENTO DE AÇÕES SOCIAIS

Em Itamogi, no Sul de Minas, o empresário e ex-prefeito Januário Arantes, proprietário da Pré-Moldado Concreto Arantes, também provocou repercussão após a divulgação de um vídeo no qual ameaça demitir funcionários que comentarem o resultado das eleições presidenciais.

Nas imagens que circulam nas redes sociais, ele critica a vitória de Lula e diz que os trabalhadores estão proibidos de falar sobre política dentro ou fora da empresa, sob risco de demissão.

O Bistrô Du Comte, localizado na cidade de São Francisco, no Norte do estado, também se pronunciou nas redes sociais e anunciou que, pela primeira vez, não vai distribuir cestas básicas de Natal.

O estabelecimento recorreu à ironia para criticar o governo federal e explicar a decisão. “Fomos informados de que o Brasil está uma maravilha. Segundo o governo, não tem ninguém passando fome”, diz o texto. A publicação também menciona os preços dos alimentos e dos combustíveis. “Se está tudo tão bom assim, pra que cesta básica, não é mesmo?”, questiona.

LISTAS DE BOICOTE

Além das mensagens que defendem a demissão de trabalhadores, listas para boicotar estabelecimentos comerciais também começaram a circular nas redes sociais em Minas Gerais. As publicações reúnem nomes de empresas e comerciantes apontados como apoiadores de Lula e estimulam consumidores a deixar de comprar produtos ou contratar serviços desses locais. Há relatos de mobilizações em cidades do interior do estado.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ameaçar demitir funcionários por suas escolhas políticas pode configurar assédio eleitoral. Isso ocorre quando empregadores usam sua posição de autoridade para constranger, intimidar ou pressionar trabalhadores a apoiar determinado candidato ou partido.

A conduta pode ser enquadrada nos artigos 300 e 301 do Código Eleitoral, que estabelecem penas de prisão e multa. Além de possível responsabilização criminal, os envolvidos podem responder nas esferas trabalhista e eleitoral.

OAB REPUDIA BOICOTES E ALERTA PARA CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS

As subseções da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) em Lavras e Cambuí, no Sul de Minas, também divulgaram notas de repúdio a iniciativas que estimulem boicotes, intolerância ou retaliações contra comerciantes e profissionais por suas posições políticas.

As entidades ressaltaram que a liberdade de expressão é um direito constitucional, mas precisa respeitar a dignidade humana. A OAB de Lavras também alertou que ações que excedam os limites da crítica legítima podem ter consequências nas esferas cível e criminal.

VEREADORA TERÁ QUE APAGAR POST: “NÃO CONTRATE ESQUERDISTAS”

Na semana passada, a Justiça do Trabalho determinou que a vereadora e deputada estadual eleita de Juiz de Fora Roberta Lopes (PL-MG) remova das redes sociais uma publicação em que pedia a empresários que não contratassem pessoas de esquerda. A decisão também determina que a parlamentar publique uma retratação e deixe de incentivar esse tipo de discriminação no trabalho.

Feita em setembro de 2025, a publicação dizia, entre outras coisas, “não contrate esquerdista”. No post, a parlamentar também orientava empresários a consultar as redes sociais e as posições políticas de candidatos antes de contratá-los.

Tags: Minas Gerais

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