
Flávio Bolsonaro chegou à Flórida após deixar o Brasil, apesar de uma ordem do STF que o impedia de viajar. O governo dos Estados Unidos confirmou a emissão de vistos para ele e familiares, mas não confirmou concessão de asilo político. (Foto: Instagram)
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após ser derrotado por Lula e descumprir uma ordem do STF. O governo Trump confirmou a emissão de vistos para a família.
Resumo:
- Viagem à Flórida: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos depois de descumprir ordem do STF que o impedia de sair do Brasil;
- Situação dos passaportes: a PF cancelou os documentos do senador nesta terça-feira, após o fim do prazo para entregá-los, estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes em 26 de outubro;
- Emissão de vistos: o Departamento de Estado dos EUA confirmou a emissão de vistos, mas não comprovou a concessão de asilo político.
Resumo elaborado por ferramenta de IA.
Derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca apoio da administração de Donald Trump nos Estados Unidos em um momento delicado para o republicano.
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A dois dias de completar uma semana desde a derrota eleitoral no Brasil, Flávio deixou o país com a família, apesar de uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair. A suspeita é de que ele tenha viajado para os Estados Unidos.
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A viagem acontece poucos dias antes das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro, em um contexto de queda na popularidade de Trump e de disputa pelo controle do Congresso. Os republicanos correm o risco de perder a maioria na Câmara.
A chegada do senador à Flórida também ocorre enquanto aumentam as tensões entre o governo brasileiro e a administração republicana. Nesta terça, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que emitirá vistos para Flávio e seus familiares, autorizando a entrada deles em território norte-americano.
A declaração oficial, porém, não confirma a concessão de asilo político, que é diferente da autorização para entrar e permanecer no país por meio de visto.
Na segunda-feira (26/10), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse à Polícia Federal (PF), em até 24 horas, os passaportes comum e diplomático.
A decisão também impedia Flávio de deixar o Brasil. Como o prazo terminou sem que os documentos fossem apresentados, a corporação cancelou os passaportes nesta terça-feira.
Apesar de desobedecer à ordem judicial, Flávio não era considerado foragido naquele momento, pois não havia mandado de prisão contra ele. O senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz.
Flávio nega irregularidades.
ASILO NÃO FOI COMPROVADO
- A saída de Flávio repercutiu depois que o advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Trump, afirmou que Washington organizou uma operação para proteger o senador, chamada de “Operação Alba” e supostamente coordenada por Marco Rubio.
- Levy também disse que o governo autorizou asilo político ao brasileiro, mas não apresentou provas.
- Até o momento, o Departamento de Estado confirmou oficialmente apenas a emissão de vistos para Flávio e seus familiares, sem comprovar a concessão de asilo nem a existência da operação.
- Em outro artigo, Levy sugeriu que o senador poderia organizar dos EUA a oposição a Lula, em uma estratégia que aumentaria a influência de Washington na América Latina.
- As alegações não foram acompanhadas de um plano detalhado. Se houver atuação política em solo norte-americano, o episódio poderá elevar as tensões diplomáticas entre os dois países.
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS AUMENTAM PRESSÃO SOBRE TRUMP
A crise política brasileira coincide com uma etapa decisiva para o governo norte-americano. Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais.
A votação é vista como um teste para a administração Trump e representa uma “pedra no sapato” do chefe da Casa Branca, que enfrenta desgaste por causa do custo de vida, da inflação e da condução da economia. Pesquisas divulgadas em outubro mostram índices altos de desaprovação ao presidente e apontam que os democratas podem conquistar a maioria na Câmara.
Nesse contexto, a emissão de vistos para um político estrangeiro envolvido em uma disputa com o Judiciário de seu país pode aumentar a pressão sobre o governo republicano.
Questionamentos sobre o uso da estrutura diplomática norte-americana para favorecer aliados políticos também podem se tornar alvo de cobranças da oposição no Congresso.
Se os democratas vencerem, a maneira como Washington lidaria com a presença de Flávio e também de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos poderia mudar, conforme a composição política do Congresso e as prioridades da nova maioria.
TRUMP VOLTA A QUESTIONAR ELEIÇÕES BRASILEIRAS
A chegada de Flávio aos Estados Unidos ocorreu no mesmo dia em que Trump voltou a fazer críticas às eleições brasileiras. Em um comício no Texas, nesta terça-feira, o presidente norte-americano mencionou a disputa vencida por Lula e disse que o processo eleitoral brasileiro não lhe pareceu positivo.
“Eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom”, afirmou Trump ao comentar a eleição brasileira.
Na segunda-feira (26/10), o republicano já havia declarado que o resultado da disputa entre Lula e Flávio “pareceu mais uma eleição fraudulenta”. As afirmações foram feitas sem apresentação de provas de fraude.
O presidente norte-americano também criticou a prorrogação do horário de votação determinada pela Justiça brasileira. A medida foi tomada diante de dificuldades relacionadas ao transporte público e às condições climáticas.
As declarações acrescentam um novo ponto de atrito entre Washington e Brasília. Antes do primeiro turno, Trump havia considerado a eleição brasileira um processo importante e elogiado o país. Depois da primeira etapa da disputa, também chamou o desempenho de Flávio de “grande vitória”.
Mesmo com as críticas recentes, Trump disse manter uma boa relação com Lula e não declarou apoio formal a nenhum dos candidatos.
SAÍDA PROVOCA REAÇÃO NO PL
A viagem também causou desconforto entre integrantes do Partido Liberal (PL). A legenda convocou uma reunião de emergência nesta terça-feira, em sua sede, em Brasília, para avaliar o cenário após a confirmação de que o senador havia saído do país.
Segundo informações divulgadas, nem todos os integrantes do partido sabiam da decisão. Participaram das articulações o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio.
Mais cedo, Marinho havia negado que o correligionário tivesse deixado o Brasil. “Não saiu”, afirmou no início da manhã, em entrevista à coluna de Igor Gadelha.
A saída ocorreu dois dias depois de Flávio ser derrotado por Lula no segundo turno, por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Após a apuração, o senador contestou o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição, embora o PL tenha reconhecido a vitória do petista.
Tags: Donald Trump, Eleições 2026, Eleições EUA, Estados Unidos (EUA), Flávio Bolsonaro







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