PF indicia Vorcaro, Paulo Henrique e mais 13 no caso Master em documento de 703 páginas

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PF indicia 15 pessoas por suspeita de fraude bilionária em operações entre Banco Master e BRB. (Foto: Instagram)

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas por fraude bilionária em negócios entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A conclusão da PF é que controladores, diretores, operadores e advogados cometeram crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa na negociação de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fictícios.

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A investigação apura a liquidação de carteiras de crédito sem lastro entre o Banco Master e o BRB. Os enquadramentos penais incluem crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master; Paulo Costa, ex-presidente do BRB; e mais 13 pessoas.

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As operações apontadas pela PF ocorreram entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Segundo as investigações, o contrato entre o Master e o BRB previa que as carteiras compradas seriam formadas por créditos da modalidade Credcesta, originados pelo banco. Mais tarde, porém, a apuração mostrou que o Master, de Daniel Vorcaro, reconheceu a participação de terceiros na origem dos ativos e passou a apresentar versões divergentes.

A PF afirmou que, inicialmente, a origem de créditos bilionários foi atribuída a operações ligadas a duas associações sediadas no Estado da Bahia. Depois, as mesmas operações passaram a ser relacionadas à Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A., empresa que, conforme elementos examinados em perícia, não tinha capacidade econômico-financeira, estrutura operacional ou meios técnicos compatíveis com a geração de créditos consignados nesse volume.

O indiciamento da PF destacou que a fraude financeira ocorreu em negócios firmados entre duas instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Segundo o documento, seus dirigentes atuaram em conluio e deixaram de cumprir obrigações normativas e contratuais essenciais para comprovar a existência dos ativos negociados, adotar procedimentos mínimos de governança e realizar a adequada precipitação das carteiras de crédito cedidas.

DIVISÃO DE TAREFAS

A lista descreve a divisão de funções no esquema criminoso, que envolveria a alta gestão do banco privado, dirigentes do banco público, intermediários de empresas de fachada e integrantes de comitês de governança. Confira:

Núcleo Estratégico e Liderança do Banco Master

  • Daniel Bueno Vorcaro (controlador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa e fraude. Também responde por organização criminosa, com papel de liderança e participação de funcionário público, e lavagem de dinheiro.
  • Augusto Ferreira Lima (ex-dirigente/operador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva (diretor do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude em operação financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Luiz Antonio Bull (diretor de Gestão de Riscos do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Alberto Félix de Oliveira Neto (superintendente de Tesouraria do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Núcleo Operacional e Estruturação de Empresas de Fachada

  • Allan da Silva Machado (coordenador operacional do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Henrique Souza e Silva Peretto (Operador/colaborador do Banco Master): indiciado por gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia (Suposto diretor da SPE/Tirreno): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Daniel Lopes Monteiro (Advogado do escritório Monteiro Rusu): indiciado como partícipe em gestão fraudulenta, falsidade e fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Núcleo de Comando e Cúpula do BRB

  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa (ex-presidente do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa, com papel de liderança e presença de funcionário público.
  • Dario Oswaldo Garcia Junior (diretor Executivo de Finanças e Controladoria do BRB): indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

Núcleo da Diretoria Colegiada (DICOL) do BRB

  • Luana de Andrade Ribeiro (Diretora Executiva de Controle e Riscos do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz (Diretora Executiva de Gestão de Pessoas do BRB): indiciada por gestão fraudulenta.
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira (Diretor Executivo de Atacado e Governo do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.
  • José Maria Correa Dias Junior (Diretor Executivo de Tecnologia do BRB): indiciado por gestão fraudulenta.

OS FUNDAMENTOS DOS INDICIAMENTOS

Segundo o relatório da PF, os integrantes da Diretoria Colegiada (Dicol) do BRB foram responsabilizados por aderir repetidamente a um método decisório fraudulento.

O documento aponta que operações de grande impacto financeiro eram aprovadas de forma sistemática antes da conclusão dos pareceres de controle, permaneciam em alçadas inadequadas e eram renovadas sucessivamente, mesmo após alertas explícitos sobre riscos de liquidez e irregularidades técnicas.

Tags: Banco Master, Polícia Federal (PF)

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