
Ricardo Nunes afirmou que o resultado da eleição deve ser respeitado após Flávio Bolsonaro trocar “verdadeiro presidente” por “líder” em uma carta. (Foto: Instagram)
São Paulo — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) se manifestou nesta quarta-feira (28/10) sobre a carta em que Flávio Bolsonaro (PL) se declarou “verdadeiro presidente do Brasil”. Mais tarde, o senador apagou a publicação e substituiu a expressão por “líder”. Em nota, Nunes declarou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Lula reeleito, com 64,2 milhões de votos no 2º turno — quase 4,5 milhões a mais que Flávio. O resultado foi reconhecido pelo Judiciário brasileiro, por organismos internacionais e pela oposição, inclusive pelo Partido Liberal (PL), legenda de Flávio.
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“ O TSE já definiu o novo presidente e precisamos manter a serenidade diante do resultado. Quem venceu deve governar o país para melhorar a economia e a qualidade de vida da população. À oposição, que recebeu quase 60 milhões de votos, cabe fiscalizar”, afirmou o prefeito.
Na manhã desta quarta-feira (28/10), Nunes havia comentado que o senador Flávio Bolsonaro “tem os motivos dele” para ir aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial do último domingo (25/10).
“Meu foco agora é cuidar da cidade. Cada pessoa que toma uma atitude é a única que sabe os motivos reais. Por isso, seria imprudente eu opinar sobre algo que desconheço ou que poderia eventualmente acontecer”, disse Nunes durante uma agenda na zona leste da capital paulista. “Não sei sequer se ele vai voltar ou não. Acho muito cedo para dizer.”
Mais cedo, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a carta aberta do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República.
“A eleição terminou e agora precisamos olhar adiante. Compreendo o sentimento de Flávio, sua indignação e revolta, e sei que muitos brasileiros também se sentem assim. Mas é preciso respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento pede responsabilidade, serenidade e a formação de uma oposição forte, que cumpra seu papel. Respeitar o processo democrático e atuar dentro das instituições é o caminho para fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a democracia.”
Horas antes, Tarcísio havia dito que entendia o ressentimento de Flávio, mas que não compartilhava os mesmos pensamentos do parlamentar. O governador defendeu a democracia e o sistema eleitoral brasileiro.
“Entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, ressaltou.
FLÁVIO CULPA STF, MESMO TENDO PEDIDO A PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO
“Uma decisão do STF, acima da competência do TSE, prolongou a votação nos últimos instantes, e a ordem só chegou depois do encerramento do horário legal, quando as urnas já haviam sido fechadas. Os eleitores ficaram sujeitos a regras distintas. Até agora, o TSE apenas defendeu a extensão do horário e não apresentou sequer uma resposta crível”, diz um trecho.
Na carta, Flávio afirma que, após a “repugnante fraude eleitoral”, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, executou um “plano previamente elaborado” — o pedido de apreensão de seu passaporte. O senador diz que Moraes “muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse”, e que ele colocou em marcha a “máquina de perseguição política do regime”.
Flávio nega ter deixado o Brasil em fuga: “Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também declarou que pretende comandar a oposição diretamente dos Estados Unidos.
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, especialmente ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que vocês hoje não dispõem da liberdade necessária para exercer plenamente a atividade política. Por isso, vou liderar a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer e assumirei os riscos que não podem correr”, afirmou Flávio.
No documento, Flávio também agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade”, e ao líder dos Estados Unidos, Donald Trump, por recebê-lo no país.
Confira a íntegra da carta:
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de tudo, quero agradecer ao Presidente Milei por sua coragem, senso de justiça e legalidade; ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano, por me acolherem. Esta é uma terra de liberdade, habitada por irmãos que compartilham os valores das pessoas de bem do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.
Na noite de domingo, assisti, estarrecido, a uma fraude eleitoral acontecer diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se tornasse realidade, com Lula somando mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, acima da competência do TSE, estendeu a votação nos últimos instantes, e a ordem só chegou após o fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores foram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE limitou-se a defender a prorrogação do horário e não há uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema.
Durante toda a campanha, houve abuso de poder político e econômico, além do uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, proibidos expressamente por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
O regime respondeu rapidamente ao meu questionamento. Como se fosse parte de um plano elaborado com antecedência, sete minutos depois dessa repugnante fraude eleitoral, o juiz — envolvido em um enorme escândalo de corrupção, citado diretamente no inquérito usado para tentar confiscar meus passaportes e que muito provavelmente estaria preso se não tivessem impedido minha posse — acionou a máquina de perseguição política do regime. Impedido de origem e sem condições de iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, sua simples participação em atos processuais evidencia o grau de arbitrariedade e ilegalidade em curso.
Eu não pretendia deixar minha pátria, mas sei exatamente aonde isso vai levar. Esse é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política, iniciada contra meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e estendida a milhares de brasileiros patriotas comuns e até a cidadãos americanos, tem um único propósito: calar quem discorda do regime de exceção instaurado no Brasil por meio de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.
Para que não haja dúvida, não existe mandado de prisão contra mim, porque não cometi crime algum. O que há é uma caça às bruxas de motivação política, que pretendia me transformar em refém e instrumento de chantagem para proteger do impeachment os juízes corruptos da Suprema Corte. O roteiro da perseguição é este: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, por fim, condenação política.
Não vou sujeitar minha família a isso, e o Brasil não merece reviver esse vexame internacional. Diante do uso político da Justiça no país, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos seguros. Agradeço novamente ao Presidente Trump e ao governo americano por nos receberem e oferecerem a segurança jurídica que já não temos no Brasil.
Quero deixar claro: não fugi do Brasil; saí pelo Brasil, deixei um regime de exceção para poder ser o líder que meu povo merece. Calado, preso e censurado, como meu pai, eu não poderia exercer essa liderança, e estaríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte, repleta de serviçais do regime.
Não sou o primeiro a precisar lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e, de lá, continuou defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle conduziu a França Livre de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar seu país. José Martí organizou de Nova York a luta pela independência de Cuba. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram de deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, enquanto María Corina Machado, mesmo perseguida, recusou-se a legitimar a fraude e virou símbolo mundial da resistência democrática. Todos foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentaram. A história os chamou de outra coisa.
Este é somente o início da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer não apenas aos meus 60 milhões de eleitores, mas ao povo brasileiro, que sou o presidente eleito e que os criminosos que roubaram a eleição do Brasil fazem parte de uma organização criminosa que instaurou uma tirania. A vocês que desejavam mudança, digo que não vou abandoná-los: serei a voz e a liderança livre da nossa nação.
Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa terminar. O Brasil vive um caos jurídico, de corrupção e perseguição política, no qual a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhum país consegue viver em paz ou prosperar dessa maneira. Ainda é possível recuperar o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.
À comunidade internacional, peço que não trate como normal o que ocorre no Brasil. O que se passa hoje no meu país não é normal e não deve ser visto como tal.
Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para exercer plenamente a atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que não podem correr.
E a você que votou em mim e deseja mudança: não fomos derrotados e não estamos sozinhos. Esta é apenas a primeira etapa da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou falar regularmente ao povo brasileiro e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o enorme apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, a fim de impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço que todos permaneçam firmes e jamais desistam.
Deixei o Brasil, mas não abandonei os brasileiros. A luta não acabou em 25 de outubro. Ela só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia chegará.
Que Deus abençoe o Brasil.
RESULTADO DAS URNAS
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente de Lula na votação para presidente.
O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista teve 45,16%.
No segundo turno, em 25 de outubro, Lula virou o resultado e venceu a disputa.
O petista terminou com 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio, uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos a favor do presidente reeleito.
Flávio foi derrotado em uma eleição reconhecida pelo TSE, pelo PL e por outros partidos da oposição, por seu vice, Alfredo Gaspar, e pela comunidade internacional.
FLÁVIO BOLSONARO E FAMÍLIA CHEGAM A MIAMI
O senador Flávio Bolsonaro e seus familiares desembarcaram nos Estados Unidos por volta das 10h25 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28/10). O avião particular em que estavam saiu da Argentina, parou no Equador e seguiu para Miami, onde aterrissou no Miami-Opa Locka Executive Airport.
Durante a madrugada, o governo argentino confirmou que o parlamentar passou pelo país na noite de terça-feira (27/10). Em nota, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que ele atravessou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, por volta das 22h50, e deixou o território 40 minutos depois.
O senador viajava com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas. Conforme o órgão, os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para entrar no país. Ainda segundo a migração, às 23h30, a família embarcou em um voo particular da companhia Baires Fly. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino.
*Em atualização
Tags: Flávio Bolsonaro, Ricardo Nunes, São Paulo







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