
A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a atuação internacional do bolsonarismo e os próximos passos da oposição. (Foto: Instagram)
A ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, depois da derrota na disputa presidencial, consolidou a atuação do bolsonarismo a partir do exterior.
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Após perder o segundo turno das eleições brasileiras, Flávio começou a se articular com os deputados federais cassados Eduardo Bolsonaro (PL) e Alexandre Ramagem (PL), além do jornalista Paulo Figueiredo e de outros nomes, como Allan dos Santos, que já vivem em território norte-americano.
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Os brasileiros do grupo que estão nos EUA se aproximam do secretário de Estado Marco Rubio. De ascendência cubana direta, ele é um ferrenho crítico de governos de esquerda e de imigrantes. Rubio também está entre os principais defensores do regime de sanções a outros países imposto pelo governo Donald Trump.
Rubio, aliás, esteve entre os principais articuladores das medidas do governo republicano contra o Brasil.
No começo da administração Trump, o presidente chegou a justificar as sanções ao país e a autoridades brasileiras como uma resposta ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Naquele período, o político era julgado por golpe de estado e acabou condenado a mais de 27 anos de prisão.
ENTENDA
O movimento ficou mais evidente nesta quarta-feira (28/10), quando Flávio publicou uma carta em que se declara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” – afirmação corrigida algum tempo depois.
No documento, ele agradece ao presidente argentino, Javier Milei, ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao povo norte-americano por tê-lo recebido no país.
No entanto, assim como em 2022, a família Bolsonaro voltou a chamar, sem apresentar provas, o resultado das eleições de 2026 de “fraude eleitoral“, colocando em dúvida as urnas eletrônicas.
No texto, Flávio atribui a derrota a uma suposta irregularidade ligada à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h.
Flávio recebeu 48,21% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito, teve 51,79%. O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela comunidade internacional e pela própria oposição, entre ela o PL e o vice da chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
CARTA DE FLÁVIO
Embora a carta divulgada nessa quarta-feira acene à liberdade norte-americana, a repercussão nos EUA foi limitada.
Na carta, Flávio descreve Trump como “um grande defensor da liberdade de expressão”, sem mencionar episódios em que o republicano restringiu a cobertura de emissoras na Casa Branca.
Ao ser questionado sobre o documento, Trump respondeu de forma direta. O republicano disse que não pretende se “envolver” na situação do senador, mas voltou a levantar, sem provas, dúvidas sobre a legitimidade do pleito brasileiro.
No Brasil, a manifestação do filho 01 de Bolsonaro não foi bem recebida nem mesmo por aliados. Integrantes do PL, sob anonimato, consideraram estranha, exagerada e desnecessária a movimentação de Flávio.
A saída do ex-candidato durante a noite também foi mal recebida. Poucas horas antes, o próprio Flávio havia afirmado que não tinha motivo para deixar o Brasil, que ficaria no país para liderar a oposição e que entregaria os passaportes, como determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A carta publicada na quarta-feira ampliou o desconforto entre integrantes do grupo que, até poucos dias antes, estava ao lado de Flávio na tentativa de vencer as eleições.
Apesar da tentativa de reorganizar o bolsonarismo em torno de Flávio nos Estados Unidos, ainda não se sabe qual será a efetividade do movimento no Brasil.
Afinal, o senador ficará sem mandato a partir do ano que vem. Fora do Brasil, não é possível afirmar se ele continuará influente entre outros integrantes do clã Bolsonaro que terão mandato: Michelle e Carlos, eleitos senadores, e Jair Renan, eleito deputado federal.
Além disso, setores da direita já começam a considerar alternativas para 2030. Algumas figuras apontam o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal nome para disputar a Presidência.
PAULO FIGUEIREDO E O BOLSONARISMO
Jornalista, empresário e comentarista político, Paulo Figueiredo vive nos EUA e atua como intermediário entre a família Bolsonaro e setores políticos norte-americanos.
Desde 2025, ele participa de iniciativas de interlocução com autoridades dos EUA e defende medidas de pressão contra o governo Lula e integrantes do STF. Entre as ações apoiadas pelo grupo estão sanções a autoridades e medidas comerciais adotadas durante o aumento das tensões entre os dois países.
Figueiredo também usa suas plataformas digitais para divulgar mensagens da família Bolsonaro e ampliar o alcance do discurso do grupo no exterior. Foi ele quem publicou a carta de Flávio nessa quarta.
O senador poderá recorrer a esse núcleo para manter a mobilização. O grupo, porém, reúne aliados em situações jurídicas distintas, unidos pela defesa da família Bolsonaro e por contestarem decisões de instituições brasileiras. Agora, a estratégia da ala bolsonarista nos EUA é preservar a influência política por meio de articulações internacionais e mobilização digital.
“Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”, afirma um trecho da carta divulgada pelo senador.
ENTENDA A SAÍDA DO PAÍS
A alegação de perseguição política feita por Flávio depois de deixar o Brasil provocou reações diferentes. Setores governistas classificam a saída como uma fuga planejada e ressaltam que o senador é alvo de inquéritos no STF que investigam supostos crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, incluindo o caso envolvendo a empresa Dark Horse.
As defesas negam as acusações. Com o fim do mandato no Senado em janeiro de 2027, Flávio perderá o foro privilegiado.
Veículos como The Guardian, Le Monde, Financial Times e El País noticiaram o episódio com termos associados à “fuga” e mencionaram o descumprimento de ordens judiciais e do prazo para entrega de passaportes.
Além do desconforto mencionado entre aliados no Brasil, a maioria dos integrantes do partido e governadores ligados ao PL reconheceu formalmente o resultado e a lisura do processo eleitoral, rejeitando as alegações de fraude.
Tags: Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Estados Unidos, Paulo Figueiredo, Marco Rubio, bolsonarismo







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