De pedra a vidraça: Cleitinho já enfrenta cobranças antes da posse

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Eleito governador de Minas Gerais com 55,4% dos votos válidos, Cleitinho Azevedo já recebe cobranças de eleitores antes mesmo de assumir o cargo. (Foto: Instagram)

Belo Horizonte — Eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos, Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda não assumiu o cargo, mas já começa a sentir o outro lado da popularidade que o levou ao Palácio Tiradentes. Conhecido por usar as redes sociais para denunciar privilégios e cobrar autoridades, ele já enfrenta cobranças de parte do eleitorado por respostas como futuro chefe do Executivo.

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Em sua primeira publicação desde o segundo turno da eleição presidencial, depois de ficar dias sem se manifestar após a derrota do aliado Flávio Bolsonaro (PL), Cleitinho voltou ao estilo que marcou sua trajetória política.

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Em um vídeo contra os privilégios da classe política, ele disse que os eleitos deveriam ser o verdadeiro alvo de boicotes da população. A publicação, feita na quarta (28/10), recebeu apoio, mas também muitas cobranças sobre sua atuação na campanha e sobre o que pretende fazer ao assumir o governo.

“Para de ficar em cima do muro”, escreveu um seguidor. Outros o chamaram de “isentão” e questionaram o apoio discreto a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Apesar de declarar voto no candidato do PL e participar do último ato da campanha em Belo Horizonte, Cleitinho não transformou as próprias redes em um palanque permanente para o presidenciável.

Também houve cobranças para que o governador eleito converta as denúncias em medidas concretas. “Então propõe uma lei”, “para de falar e faz” e “vai abrir mão desses privilégios?” estão entre os comentários publicados.

Apesar das críticas, apoiadores elogiaram a postura de Cleitinho, defenderam que ele mantenha a fiscalização dos gastos públicos e chegaram a apontá-lo como possível candidato à Presidência em 2030.

As manifestações indicam que a vitória expressiva nas urnas não garantiu a Cleitinho uma lua de mel sem atritos. Agora, os vídeos de denúncia começam a ser confrontados com a pergunta que acompanha quem assume o Executivo: o que será feito para mudar a situação?

ROMBO NAS CONTAS MINEIRAS

As cobranças ganham peso diante do quadro fiscal que Cleitinho encontrará. A proposta orçamentária para 2027 estima déficit de aproximadamente R$ 10,5 bilhões, enquanto a dívida do estado se aproxima de R$ 200 bilhões. A equipe de transição já examina as contas, os contratos e os compromissos deixados pela atual administração, incluindo despesas com pessoal, saúde, educação e infraestrutura.

O próprio Cleitinho aumentou a tensão com o governo de Mateus Simões (PSD) ao cobrar transparência na transição e afirmar publicamente que não aceitará “sacanagem” antes da entrega do cargo. O futuro governador também defendeu a revisão de contratos e das contas de órgãos e empresas estaduais. A gestão atual diz que fornecerá todas as informações e que os atos adotados seguem critérios técnicos e legais.

Cleitinho construiu sua carreira como vereador, deputado estadual e senador apontando problemas e cobrando soluções de quem estava no poder. Eleito para comandar Minas, começa a sair do papel de pedra e a ocupar o de vidraça — antes mesmo de assumir oficialmente no Palácio Tiradentes.

Tags: Cleitinho Azevedo, Eleições 2026, Governo de Minas Gerais, Minas Gerais.

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